Ajardinar Santa Apolónia

SantaApolóniaJardimO vereador lisboeta arq. Manuel Salgado  propôs que a estação ferroviária de Santa Apolónia desse lugar a uma jardim. A oposição municipal recusa a ideia: não é prioridade, não teve reflexão e compromete a mobilidade. Os argumentos são exatos mas tão  fracos que  que suscitam dúvida sobre a convicção oposicionista.

A ideia assenta numa errada visão de Lisboa: a capital de Portugal é uma grande metrópole de serviços e por isso deve rejeitar tudo o que seja criar riqueza que não seja tão limpa como um cabeleireiro. O porto deve ser proibido, todas as fábricas fechadas para Lisboa ser rica e chic a valer.

Parafraseando a resposta de Eça de Queirós  a Fialho de Almeida, O Economista Português aplaude «a fé em Lisboa como capital da civilização», manifestada por aquele ilustre vereador. Só tem pena que ele viva numa Lisboa imaginária e insustentável.  A bolsa de valores lisboeta encolhe todos os dias. A banca alfacinha é uma sucursal retalhista da banca europeia, a emagrecer dia sim dia não. O turismo é pindérico, uma refeição turística a 15 euros é um luxo. A City da capital da civilização é uma caixa do multibanco e sucessivos governos têm atacado o que resta do nosso setor financeiro. Lisboa não tem um heliporto e, o que é pior, não sente a falta dele, pois prefere sonhar com projetos aeroportuários de alto gabarito que também metiam jardins (e que o capitalista comanditário mandou bugiar).  Os seguros mal saem cá de casa e há anos eram os menos lucrativos da União Europeia. Acresce que Lisboa é hoje a cidade com as ruas mais sujas e pior pavimentadas do país e por certo de toda a cristandade (O Economista Português refere-se ao banal alcatrão e não à calçada portuguesa, tão odiada pela municipalidade toda).  Sujidade e desconforto que a Câmara Municipal de Lisboa quer compensar imaginariamente com… um espaço verde em Santa Apolónia.

JardimSuspenspSPPara mais, se o arq. Salgado quer mesmo um jardim em Santa Apolónia, tem um bom meio de o erguer sem destruir riqueza e gastando muito menos: basta mandar construir um jardim suspenso sobre a linha férrea, pagando à ferrovia os direitos de superfície. Uma equipa multidisplinar saberá imaginar como entunelar a linha do norte e a linha do porto de Lisboa, criando riqueza e conforto. Sem destruir nada.

Os comentários estão fechados.