Os Gregos recusam em Referendo a proposta dos Credores > e os Credores não sabem que fazer

MerkelSalvaroeuro«Tenho que salvar o euro» ou de vitória em vitória até à derrota final

Os gregos deram ontem uma maioria esmagadora de  nãos à proposta dos credores para o 3º resgate. Apesar das restrições aos levantamentos bancários, apesar das faltas de bens (muito exageradas aiiás pelos meios e comunicação social afetos aos credores), os gregos perceberam que a sua posição negocial era reforçada com a recusa daquela proposta. Mostrou-se que era possível dizer não aos credores. Não se mostrou ainda que era possível obrigá-los a negociar, substituindo o método autocrático pelo democrático. O Economista Português não se refere a credores vulgares e brutais mas sim aos credores europeus, gentis, solidários, defensores do Estado de Direito e que nas horas mortas babujam a litania da solidariedade (a juros superiores aos do mercado). Veremos se por cá alguém aprendeu a lição.

ReferendoGrego5jul15FTO referendo grego não vincula os credores. Que acontecerá hoje? Os credores preferirão que a Grécia pague uma parte da dívida, e que permaneça viva e na União Europeia, ou que não pague nada da dívida e se alie à Rússia? O Economista Português viu um deputado da direita francesa interpretar o não do seguinte modo: os gregos mostraram que querem sair do Euro, ajudá-los-emos nisso. O Sr. Schäuble, o ministro das finanças alemão, promete que o Euro fica mais forte se a Grécia sair – o que manifesta uma rara cegueira.  O Wall Street Journal  sugere que o voto referedário afasta a Grécia do Euro.  A imprensa bem pensante não sabe o que pensar: sabe que a expulsão da Grécia será a catástrofe do Euro, ainda que sem data marcada, mas não está certa que a essa ameaça tenha sido afastada. Cheio de compreensão, o querido New York Times coloca aquele dilema de outro ângulo: «a Europa tem que descobrir se usa o caso grego para dar um exemplo» (a mão longa de Berlim chegou aos desks do eminente diário nova-iorquino). Para  Der Spiegel, a Grécia escolheu um «futuro desconhecido». O Frankfurter Allgemeine descobre uma «vitória» grega mas qualifica-a de «pirrónica». O que sugere que os credores manterão a sua proposta, apesar de quase dois terços dos gregos a rejeitarem. A União europeia estaria então a seguir o caminho que levou o Império Austro-Húngaro à  destruição, recorrendo à força para anular destruidores conflitos regionais. A imprensa europeia não arrisca prognóstico nem intrepretação. O que em si mesmo diz muito sobre a demência senil que atinge a classe política europeia dos nossos dias. Os mercados abriram nervosos e veremos como evoluem.

ReferendoGregoGuardianNa imprensa internacional, só The Guardian  teve coragem para interpretar o referendo, salientando que ele desafiava muito os dirigentes da Eurozona

A Srª Merkel já rebentou com um cripto país, a República «Democrática» Alemã, e tem vindo a ganhar fòlego para rebentar com uma cripto zona monetária, o Euro. Aliás, inspirada na Walpurgisnacht, a senhora começou a agoirar: «sem o Euro, acaba a Europa». O que, em simetria, talvez signifique que, em nome do Euro,  dará um passo em direção aos gregos.

O Economista Português foi ao armário buscar a bola de cristal. A Srª Merkel, que antes do referendo convocava o pobre do Presidente Hollande para ir de avião a Berlim em inesperada viagem noturna para ultimatar os gregos, descobriu graças ao referendo helénico o caminho de Paris – e estará hoje de manhã, no Eliseu. Levará um bombom – mas ignora-se o tamanho. Uma singular manifestação da pequemez  dos governos credores é aceitarem negociar com Tsipras mas exigirem a cabeça de Varioufakis, o controverso ministro das finanças helénico, para facilitar as negociações. Tsipras concordou e Varoufakis demitiu-se, hoje, segunda, seis de julho.  Não percebem os credores que, não exigindo à Grécia a sua imediata saída do Euro, estão inevitavelmente a ceder ou a lançar mais achas para uma grave crise europeia? Ou pensarão que bastará fingir que cedem e lançarem mais umas patranhas do tipo das que bolsaram antes do referendo e que lhes garantiram a derrota nas urnas gregas? Será que o socialista francês proferirá gritos antigregos semelhantes aos do jerónimo calçado que preside ao chamado Parlamento Europeu e também é socialista, só que alemão ? O porta voz do governo francês, por hipótese um tal Sr. Árvore de Natal, dará uma conferência de imprensa revelando que os credores gostavam de chegar a acordo com a Grécia mas a Drª Maria Luís Albuquerque, integrada numa coligação de Estados-membros periféricos e invejosos, não deixa. Tentará por certo diluir a maioria grega propondo novas s negociações – desde que os gregos se afoguem para pagar aos credores. Se os credores não seguirem as sugestões gregas do Fundo Monetário Internacional, o futuro será negro. Antes da dissolução do Euro, saberemos o nosso futuro: salamalecarmos quotidianamente à glória dos nossos credores, agradecendo-lhes a todo o momento as suas virtuosas benfeitorias. Para já, preparemo-nos para a continuação da guerra de movimentos entre os credores (também chamados Europa) e a Grécia.

2 responses to “Os Gregos recusam em Referendo a proposta dos Credores > e os Credores não sabem que fazer

  1. Já que a maioria da dívida grega é para com instituições, e muito provavelmente impagável, não seria “mais barato” perdoar essa dívida de uma vez e deixar depois os gregos decidirem por si o que pretendem fazer (partindo do princípio que continuariam a ter grande dificuldade de acesso aos mercados financeiros)?

  2. O Economista Português agradece o comentário. A dívida às instituições não deixa de ser dívida. A dívida grega é insustentável mas os gregos estarão em condições de pagar parte dela. E, como aliás o próprio leitor sugere, esse perdão não garantiria o futuro da economia grega. Embora ajudasse.