Grécia: Como destruir um país: Parte 1 A Política

 RissorgimentoUm exemplo para a Alemanha/UE na Grécia de hoje: com o Rissorgimento, o Piemonte destruiu o Reino das Duas Sicílias e estabeleceu a Máfia, por meios essencialmente civis

O Economista Português recebeu de um qualificado economista especializado em questões internacionais o texto seguinte e prtilha-o com os seus leitores:

Só as próximas semanas podem permitir avaliar qual será o futuro político do Sr. Tsipras. Em cinco anos de “austeridade”, o processo já devorou toda a antiga classe política, aniquilou um dos partidos chave da anterior geração (Pasok) e fez emergir novos actores alguns bem conhecidos como o Aurora Dourada, em geral considerado neofascista, e, de novo, o Partido Comunista. O cenário político grego é de total fragmentação sem que seja plausível que, o centro moderado tenha espaço para mais uma oportunidade. Conta-se que, no final do ano passado, o Sr. Samaras, o antigo primeiro ministro e chefe do partido de direita Nova Democracia, tinha pedido à chancelarina Merkel um alívio das metas, condição necessária para que lhe fosse permitido aplicar as restantes medidas já acordadas no quadro do programa; os resultados (tímidos) lá estavam para demonstrar a “bondade” da opção. Os credores recusaram essa pretensão o que originou  o processo que se desenrolou desde a eleição falhada do PR. O que temos em Atenas são neófitos com pouco experiência e que representam novas correntes políticas que, não se encontram, necessariamente, alinhadas com as principais “famílias” partidárias europeias. Se as eleições colocaram um ponto final no Pasok, o referendo demonstrou que os gregos não querem os que estiveram antes, por isso o Sr. Samaras já se demitiu e desapareceu; interlocutores do agrado e em sintonia com o pensamento único da oligarquia europeia não existem e, o facto de, por causa do acordo, sr. Tsipras possa ter os seus dias contados não garante, antes pelo contrário, que o próximo que se segue seja mais “dúctil”. Este processo terá um efeito profundo no modo como a população se vai relacionar e encarar os parceiros europeus e como vai avaliar a aliança em que se encontra. O choque da realidade do que os parceiros pensam sobre os gregos e o que eles, gregos, supunham que seria a imagem que tinham, ficou clara e bem patente.  As próximas eleições, como tudo indica, serão no último trimestre do ano e, arriscando um prognóstico precoce, provavelmente os extremos serão beneficiados. Para resolver um problema de curto prazo,investiu-se num enorme problema para médio/longo prazo…regressando-se ao Séc XIX.

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