Imigrantes: a União Europeia não consegue defender as suas Fronteiras e caminha para a Guerra >>> Como o Evitar

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Os refugiados sírios, que surgem nas fotografias e noticiários televisivos, são quase exclusivamente homens, ao contrário de outras vagas de fugitivos de guerra (foto de The Independent)

A fuga de numerosos cidadãos. sobretudo da Síria, exige que os acolhamos mas este acolhimento, se resolve um problema humanitário pontual, agrava o problema humanitário global que afeta a Europa. Para agirmos, temos que compreender o que se está a passar. O Economista Português apresenta uma descrição das migrações recentes e uma proposta de explicação delas; e concluirá com propostas positivas.

Antes de tudo o mais, porém, há uma questão prévia.

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Sumariemos o que parece certo e relevante para o caso. Nos últimos 24 meses, tem aumentado a imigração para a União Europeia (UE) proveniente dos países do sul do Mediterrâneo, do norte de África e do Médio Oriente. O ritmo de aumento tem vindo a acelerar. As piores previsões d’ O Economista Português têm sido ultrapassadas pela realidade. Faz hoje oito dias, a chancelarina Merkel anunciou mais 850 mil entradas ilegais este ano, só na Alemanha. Nas últimas semanas, o influxo aumentou, com origem sobretudo na Síria, um país em guerra civil. A recente vaga de imigração para a Alemanha viola as regras da UE que obrigam os países fronteiros, os do primeiro contacto com o imigrante, a registarem-no e a albergarem-no, até que outro Estado-membro o aceite. A UE apenas admite perseguidos políticos; os outros candidatos à entrada deviam ser rechaçados pela força policial ou militar. À letra, um refugiado tem que ser objeto de uma medida de perseguição pessoal por parte de um Estado, mas a prova de tal perseguição não é em geral exigida. A vaga de entradas dos últimos dias destruiu este dispositivo: a Chancelarina Merkel revogou unilateralmente Dublin III, que obrigava ao registo do imigrante no país de entrada; os Estados fronteiros e a Frontex, a polícia comunitária de fronteiras, deixaram de impedir pela força a entrada ds imigrantes (pelo menos na Grécia), o espaço Schengen está a ser violado, com os países da segunda linha a imporem fiscalizações discricionárias às entradas de oriundos dos países fronteiros. A Hungria tentou opor uma barreira à entrada, respeitando as regras em vigor, mas teve que ceder perante a pressão alemã e a da opinião publicada. O Sr. Cameron também e, devido à pressão da imprensa inglesa, teve que recuar, admitindo mais refugiados sírios – mas foi um recuo tático. A UE deixou de ser capaz de defender as suas fronteiras de uma invasão pacífica, que nos tempos modernos lembra a «Marcha Verde», que em 1975 retirou o Saará espanhol ao domínio de Madrid. A UE convocou uma reunião de emergência, com a demora de uns quinze dias (!!!) e o eixo germano-francês já anunciou que tentará impor quotas obrigatórias. A França cedeu à força  alemã; a Itália vê aliviada a pressão como Estado da linha da frente, mas não é claro se já atou as mãos em Berlim. Os grupo de Vischnogrado (Europa de Leste) recusa aquelas quotas. O Reino Unido também. É ignorada a posição do nosso país. A nova política alemã, de abrir as fronteiras, é mal vista pelas opiniões públicas europeias: apenas é aprovada na Suécia, onde 71-77% dos inquiridos aceitam mais imigrantes não-UE. Itália, Chéquia, Eslováquia, Estónia e Letónia estão no pólo oposto: apenas a aprovam 15-21% da população total. A Hungria, Bulgária e Grécia contam 22-28% de aprovações. Com maior proporção de aprovações, mas sempre abaixo da maioria, está um grupo que inclui países mais populosos: Reino Unido, França, Espanha, Irlanda e Bélgica situam-se entre os 29-49% de aprovações. O Economista Português não descobriu os valores para o nosso país.

RefugiadosSíriosMapaGréciaAlemanhaRota da Grécia à Chancelarina Merkel: a Macedónia e a Hungria tentaram barrar o caminho e aplicar os regulamentos europeus mas foram derrotadas, após terem sido demonizadas pelas televisões

Como explicar o incremento da imigração vinda do Mediterrâneo, norte de África e Médio Oriente? O pano de fundo é o abismo entre o norte do Mediterrâneo, secularizado, vivendo em democracia representativa, rico mas estagnado demográfica e economicamente, face ao sul, pobre e não-secularizado, ajoujado a regimes mais ou menos autoritários, mas em expansão demográfica e económica. Contudo este contraste vem de trás e só agora se tornou eficiente. As causas próximas são outras. Enumeremo-las.

  • Pululam as teorias conspirativas pois na realidade sabemos pouco da corrente vaga de imigração. Sabemos que nela predominam os sírios; sabemos que ela coincide com o aumento da expetativa de vitória na Síria da ISIS, o principal movimento terrorista fundamentalista islâmico, e com o fim do World Food Program, indispensável à alimentação dos refugiados no Líbano e na Jordânia. Mas não são estes que desertam. A avaliar pelas fotografias, os imigrantes não estavam nos campos de refugiados destes dois países: pertencem a classes sociais superiores às dos seus ocupantes. Logo se oferecem teorias conspiratórias: a fuga enfraquece o regime de Bachar-el-Hassad, teria sido estimulada pelos serviços secretos ocidentais yankees e alemães (o Reino Unido e a França parece terem desaparecido do terreno, embora ainda se conservem nos ares do Médio Oriente), seria apenas um movimento tático na guerra entre a Pérsia e a Arábia Saudita, entre os Estados Unidos-Alemanha e a Rússia pelo domínio da região. A dedução prova em poucos casos de dinâmica social e este não é um deles. As teorias conspiratórias não estão provadas.
  • A UE converge com o terrorismo islâmico contra os Estados laicos e assim destruiu a Líbia e levou a guerra civil à Síria. Com efeito, a emigração aumenta apenas nos Estados (ou através dos Estados) em que a UE destruiu o Estado, à bomba e em nome de grandes e generosos princípios: a Líbia e a Síria.
  • A população foge da Síria porque julga que a ISIS conseguirá destruir o Estado laico e respeitador da liberdade religiosa dirigido por Bachar-al-Assad, que a propaganda à 1984 demoniza todos os dias. A Chancelarina Merkel partilha essa convicção.
  • A demagogia substitui a elaboração razoável de políticas: os que fizeram o mal de bombardear a Líbia e de convergir com o ISIS, de esquecerem a miséria das populações africanas e médio-orientais, produzem agora a caramunha demagógica de manipular por essas televisões fora fotografias de uma pobre criança morta quando com familiares fugia da Síria para a Grécia – e assim procuram legitimar a ausência de uma política de imigração. Por isso, as golpadas da classe política transpirenaica descredibilizam-na.
  • A divisão dos estados da UE e em particular a posição de Berlim estimulam o surto de imigração. A Chancelarina Merkel revoga ilegalmente Dublin III para aparecer bondosa na cena internacional e numa posição de força na UE, o que por seu turno mais exacerbará as divisões europeias.
  • Abrindo as portas à imigração ilegal síria – por ser branca, mais facilmente integrável, e educada, mais rendosa economicamente – , Berlim abre o precedente da facilitar a invasão pacífica da Europa; julga que o afluxo imigratório cessará com a entrega da Síria aos terroristas islamistas, mas engana-se: a distinção, por ele insistentemente apresentada entre refugiaddos políticos e imigrantes económicas não én reconhecida no terreno e contraria a propaganda e a tática ocidentais de exportarem a democracia representativa para o Médio Oriente. A reviravolta leninista da Srª Merkel é uma derrota para a UE e para a Europa.
  • Como a opinião pública da UE só em minoria apoia o aumento da imigração vinda de fora da União e começam a manifestar-se tendências chauvinistas violentas que poderão ser o fermento de um novo totalitarismo.

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A Rússia tem os muçulmanos dentro de casa (repare na zona assinalada)  e por isso a sua batalha com a ISIS é decisiva

  • A Rússia opor-se-á à queda da Síria de Bachar, por razões óbvias: o regime de sírio é o único aliado que Moscovo conserva na região, não quer estimular um domínio terrorista islâmico pois a sua fronteira sul bordeja com os países que cairão nas mãos da ISIS, se ela se consolidar na Síria, a placa giratória do Médio Oriente. O Presidente Putin visitou há dias Bachar, propôs um acordo com a oposição síria «sã» e foi anunciado na altura que, se necessário, Moscovo enviará tropas terrestres para defender a Síria. Os mass media ocidentais demonizam a Rússia e, assim armados moralmente, permitem-se ignorá-la. O Economista Português continua a aderir ao princípio da realidade e é facto que a Rússia de Putin existe; por isso, devemos contar com ela, tanto mais que o seu regime, sem ser flor que se cheire, é uma democracia representativa musculada, infinitamente melhor do que a ISIS e pelo menos tão boa como as que os Estados Unidos apreciam no Egipto ou no Afeganistão. Tudo visto, é de prever que dentro em breve a Rússia aumente na Ucrânia a pressão sobre a Chancelarina Merkel.

A guerra volta a aproximar-se da Europa. A Alemanha declarou as nossas fronteiras indefensáveis perante uma nova «marcha verde». Estas conclusões não são ainda percetíveis pela maioria dos nossos vizinhos mas, se não mudarmos de rumo, em breve o serão. Nesta situação, que medidas devemos tomar?

  • Recusar as cotas obrigatórias, um novo e inviável processo de Berlim controlar a Europa; são inaplicáveis pois como é sabido quatro quintos dos imigrantes querem ir para a Alemanha e só para a Alemanha; os que recebessem guia de marcha para Portugal, só à lei da bala cá ficariam; o nosso país ganharia tão má reputação quanto à imigração que dificilmmente conseguiríamos mais um imigrante de sua livre vontade. Anunciando futuras admissões seletivas de imigrantes, Berlim obrigará na prática o nosso pais a aceitar mais imigrantes sem nos dar a correspondente garantia de defesa militar em caso de conflito; acresce que as cotas obrigatórias estimulam, pela sua simples existência, a emigração ilegal – que será dirigida para campos de concentração, eufemisticamente chamados de refugiados;
  • Aceitar temporariamente refugiados dos países em guerra civil, e só deles, na condição de, logo que seja restabelecida a paz regressarem ao seu país de origem, exceto se houver acordo noutro sentido;
  • Trabalhar as propostas de negociação de Bachar e substituir a palhaçada estratégica montada na Síria pelo Presidente Obama por medidas efetivas no terreno; com o apoio egípcio, devem ser tomadas medidas paralelas em relação à Líbia;
  • Propor uma conferência internacional para o desenvolvimento estatal, económico e social do sul do Mediterrâneo, com os Estados limítrofes em África e no Médio Oriente, patrocinada pelos Estados Unidos, Brasil, Índia, Rússia, China e Japão, com o fito de aprovar e começar a aplicar um plano Marshal para a área: investimento e apoio técnico a troco de fiscalização de uma imigração africana e árabe para a Europa, que incluirá a económica, negociada no plano bilateral pelos Estados interessados ( até 2050 a Europa precisará de 50 milhões de habitantes, isto é, de imigrantes); Portugal de quase dois milhões). A Europa foi moralmente destruída pela Segunda Guerra Mundial e por isso precisa de convidar aqueles tutores os quais, além disso, fornecerão meios e garantias políticas de pacificação da área.

5 responses to “Imigrantes: a União Europeia não consegue defender as suas Fronteiras e caminha para a Guerra >>> Como o Evitar

  1. Excelente regresso de férias. Mas corrija por favor o 2006 do último parágrafo. Queria escrever 2020? 2050?

  2. É um gosto volta a ler as suas análises. Um ponto sobre o qual muito gostaria de conhecer a sua opinião é a relação António Costa -Segurança Social. A displicência com que assina de cruz qualquer ideia peregrina de usar o fundo da SS é inquietante, seja a de “pegar” nas verbas e injetá-las na construção civil; seja a de baixar a TSU para “bombar” o consumo interno, parecem altamente perigosas a médio prazo para quem hoje desconta, e também para quem hoje recebe. Cereja no bolo, usar a receita das portagens, contratualmente alocadas ao pagamento das PPPs, para financiar a SS. Há um desnorte perigoso e parece que se atravessou o rubicão de não brincar com coisa séria (a SS).

    Parabéns pela generalidade dos seus escritos.

  3. O Economista Português agradece os elogios; prefere não responder à pergunta, pois não intervirá na campanha eleitoral

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