Escândalo VW: Berlim recomenda Honestidade aos Portugueses e esconde a Intrujice da Volkswagen

Como a VW vigarizou os testes ecologistas

VWBatotasNosTestesFonte: http://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/sep/23/volkswagen-emissions-scandal-explained-diesel-cars

Há uns anos, o Doutor Francisco Louçã descrevia o capitalismo como um bando de hipócritas capazes de tudo para ganharem mais uns milhões. Parecia uma caricatura mas mas o escândalo da fixação das taxas do Libor e agora a intrujice da Volkswagen para conseguir vender veículos poluentes a gasóleo mostram que essa caricatura era na verdade uma imagem pálida da verdade.

A fraude da Volkswagen foi descoberta pelos Estados Unidos. Qual foi a reação da querida União Europeia (UE)?  A querida UE recusa averiguar pois, se averiguar, a VW será obrigada a indemnizar os consumidores europeus, o que a comissão bruxelina pretende evitar – a bem dos europeus, claro. O presidente executivo da Volkswagen considerou que não valia a pena demitir-se, por tem dúvidas sobre a sua culpabilidade: com efeito, Martin Winterkorn declarou «não estar cônscio de nenhuma culpa da sua parte». Esperemos uns dias e talvez e talvez fique cônscio. Ou esperará ser salvo  pela cultura de desleixo e de ocultação criminosa revelada no caso do «suicídio» do Boeing da Luftanhansa?  Com efeito, no caso VW o governo alemão estava ao corrente que havia uma fraude mas  desdobrou os seus melhores esforços para não saber nada – e já desmentiu que soubesse, o que mostra o triunfo dos seus esforços para não saber da intrujice. O governo alemão que encobre a vigarice de VW é o mesmo que nos recomenda a nós portugueses para sermos sérios, trabalharmos as muito e pagarmos pontualmente as nossas dívidas à Alemanha.

O mal causado aos países da UE pela VW é de momento incomensurável. Mas é seguramente muito grande: a Alemanha prega a salvação verde e a sua maior empresa automóvel está unida para vigarizar as leis que promove. A economia mundial tomará nota.

A que se deve isto? O Economista Português salienta três razões:

  • A consciência moral e a identidade desapareceram na União europeia: Deus é o dinheiro.
  • As empresas europeias sabem que os processos de fiscalização europeus são uma fantochada: tal como chamado BdP no caso BES, as agências europeias não descobriram a fraude VW (porque não queria descobrir, claro); a UE é incapaz de se autorregenerar;
  • O capitalismo de grandes empresas oligopolistas com um Estado de pensamento único dá uma economia brejneviana, de capitalismo de Estado, na qual a concorrência não tem força para limpar a corrupção.

Sobre a intrujice do governo alemão no caso, ver mais em emhttp://www.theguardian.com/business/2015/sep/23/volkswagen-chief-martin-winterkorn-quits-emissions-scandal

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