Eleições Parlamentares: Rejeitadas todas as Soluções partidárias

PerdemTodosPerderam todos

Depois das eleições parlamentares, O Economista Português regressa ao contacto mais regular (e nacional) com os seus leitores. O governo gera mais de metade do nosso PIB e por isso é a primeira realidade económica portuguesa. As eleições de ontem mostraram que todas as soluções partidárias foram rejeitadas pelos eleitores: a coligação PSD-CDS perdeu mais de dez pontos percentuais do eleitorado em relação às últimas eleições comparáveis e ficou sem maioria absoluta: o PS ganhou votos mas nem maioria relativa conseguiu e só formará governo apoiado numa maioria de esquerda ou num bloco central mais ou menos envergonhado, ambos rejeitados pelo eleitorado. A «maioria de esquerda» é um arcaísmo político com rosto de derrota: ninguém a quer. O bloco central envergonhado (o PS a apoiar o governo de fora) é o bebé preto filho do casal branco: não será reconhecido, acelerará a autodestruição deste partido e não trará estabilidade.

Quem viu ontem nas televisões de sinal aberto o serão eleitoral, presenciou um espetáculo que é a realidade de pernas para o ar: os partidos perderam todos (pelo menos os portugueses perderam, pois não teremos um governo estável e coerente) mas todos se declararam vencedores. Ontem, nos saraus televisivos, o PSD ganhou, o PP ganhou, o PS ganhou (pois integra a maioria do Euro com uns 70% dos votos… e o seu secretário geral não só não se demitiu como foi freneticamente aplaudido pelos ativistas que foram ao Hotel Altis). O Bloco de Esquerda e o PCP também ganharam, cada um na sua pista; mas não propugnaram nenhuma solução de governo e por isso não têm estatuto político para cantarem vitória eleitoral.

O país está sem governo estável e os partidos políticos declaram-se todos vencedores (ou não reconhecem a derrota, o que vai dar ao mesmo). Afinal, perderam todos.

Se a coligação PSD/PP formar governo, estará por certo no seu momento Sócrates – quando este se julgava vencedor e lançou o governo minoritário, por não ter lugar de recuo. Como governarão os vencedores  com menos de 40% dos votos dos portugueses numa situação de crise? Se governar, será por conta dos nossos credores, sendo o tutor troika substituída pelo tutor Tratado Orçamental Europeu. A televisão achou que não valia a pena ouvir os partidos pequeninos – os quais, a terem sido ouvidos, por certo se teriam tambémdeclarado vencedores.

Há quem diga que ontem ganhou o voto conservador. Se o «conservador» se aplicasse à fórmula governativa, os eleitores teriam reconduzido a coligação PSD-PP com maioria absoluta. Conservador por rejeitar a «aventura» socialista? Mas esta «aventura» seria por certo mais conservadora do que a política de terra queimada, ontem vencedora, que consiste em dificultar, ou impedir, que haja um governo partidário no nosso país.

O Economista Português continua a defender a solução governativa que propôs quando se abriu a crise político-financeira, a única que pode lançar o nosso país no caminho do trabalho e da regeneração: uma união sagrada de todos os partidos e correntes de opinião a favor do aumento da produção, da justiça social e da esperança, nos quadros de um regime democrático-liberal e de um Estado de Direito. Algo de semelhante à fórmula alemã. Porque ninguém de bom senso duvida das dificuldades que temos pela frente.

3 responses to “Eleições Parlamentares: Rejeitadas todas as Soluções partidárias

  1. Era tão bom que isso fosse possível.

  2. Pingback: O ECONOMISTA PORTUGUÊS – Eleições Parlamentares: Rejeitadas todas as Soluções partidárias – por Luís Salgado de Matos | A Viagem dos Argonautas

  3. Brilhante e admiravelmente sucinto. Muito obrigada.