Duas Alemanhas?

TeutoburgerWald

A batalha de Teutoburger Wald numa representação romântica

Uma sondagem dava ontem dá à Chancelarina Merkel 51% de reprovações entre os eleitores alemães, devido à sua política migratória. A violência começa a voltar à Alemanha, a propósito dos centros de refugiados. À Alemanha puritana e luterana contrapõe-se a Alemanha da Volkswagen batoteira com os controles da poluição, na qual… ninguém sabia de nada (frase que por si provoca tristes lembranças).

Por isso, O Economista Português, interpretando livremente os ensinamentos de Jean Jourdheil e de Heiner Müller, permite-se começar pelo princípio: os alemães entram na história universal com a batalha de Teutoburger Wald. Nessa batalha digladiaram-se dois príncipes alemães. Um aliava-se aos romanos. O outro queria destruir os romanos. Um deles morreu nessa jornada. A Alemanha começava como duas Alemanhas que se matavam uma à outra.

Desde a Guerra Fria, conhecíamos uma só Alemanha: a  Alemanha aliada dos romanos (digamos), limpinha, pontual, loura, trabalhadora, séria, respeitando as normas contra a poluição, pacífica, Estado de Direito exemplar, democracia representativa sem caudilhismos. Conhecíamos só uma mas de da paz de Ialta tinha nascido duas: havia a Alemanha de Leste, comunista, submetida à Rússia soviética, na qual a Srª Merkel dirigiu a propaganda .As duas Alemanhas resultavam da guerra, mas tinham eco na história germânica. De repente, hoje, aparece ao lado da Alemanha séria e democráticaa outra Alemanha: a do Félix Krull, cavalheiro de indústria, a da violência nas ruas, a Alemanha que combate brutalmente a Alemanha.

Reaparecem hoje as duas Alemanhas, brilhantemente figuradas na chancelarina Merkel: o símbolo da vitória do capitalismo democrático é uma comunista, quiçá arrependida, uma ossie (aborígene do leste alemão, o perpétuo Mezzogiormo germânico, onde o comunismo medrou e o capitalismo pega mal como se vê nestas tristes bodas de prata da re-unificação alemã).

A bem da economia europeia, O Economista Português espera apenas que os alemães amnistiem finalmente o Príncipe de Homburgo, perdoando-lhe ter-se rebelado contra a autoridade.

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