O Socialismo num Só País

Avante com a Reforma AgráriaVoltou a prima da Reforma Agrária?

O exemplo e a doutrina de José Staline em 1925, o ano seguinte à morte de V. I. Lenine, frutificam em Lisboa em 2015. Em 1925, o antigo seminarista georgiano reconvertido no terrorismo de massas conduziu a Revolução russa para o socialismo num só país. Até então, os revolucionários acreditavam que a revolução seria internacional, ou não seria, e só triunfaria se começasse nos países mais avançados, que à época eram a Inglaterra e a Alemanha. Os sociais-democratas alemães votaram em 1914 o orçamento de guerra, o que lhes tirou o lustro revolucionário e com ele esvaziou-se o sonho internacionalista. Leão Trotsky, outro assassino político cheio de charme, defendeu a «revolução permanente», que era uma variante do internacionalismo socialista tradicional, mas foi vencido. Vimos no que deu o «socialismo num só país». Ainda por cima, no nosso caso, a troco de uma guerra com o capitalismo internacional, apenas nos prometem baixar a taxa moderadora do Serviço Nacional de Saúde – ao passo que Staline prometia os céus e a terra. A promessa é menor, o risco igual e nós somos bem mais ricos do que o kulak de 1925 – pelo que deveriam prometer-nos mais do que a eles e com mais verosimilhança. O erro era então menos culposo, até porque a teoria dos jogos estava menos desenvolvida do que hoje e ação humana tinha legitimidade para ser ainda mais pateta. O mais divertido é que entre nós, «o socialismo num só país» virá pelas mãos dos herdeiros espirituais do querido Trotsky, o Bloco de Esquerda, e do PS.
Alguém acredita que nos defenderemos melhor das exigências dos nossos credores começando por hostilizar os portugueses que votaram na Coligação»? Um governo de esquerda enfraquecer-nos-á perante Bruxelas, a Alemanha e os credores. Só um governo de união sagrada, com um programa inovador conseguirá melhorar duradouramente a nossa situação e gerar o nosso upgrading na divisão internacional do trabalho.

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Será que amanhã o PS nos dirá: «Caíram! Preguei-vos o susto comunista como tática de negociação para sacar mais ao Dr. Passos Coelho».   Mas a hipótese é provável: dois terços da máquina socialista abomina uma aliança com o PCP.  O outro terço sabe que qualquer aliança com o Bloco de Esquerda converterá o PS num satélite do neonato – ou num partido irmão. A UGT já começou aos pulos. Os socialistas estão calados em nome da da obediência ao líder ou em nome da razão de Estado socialista que os manda (sabe Deus e a razão de Estado porquê) não atacarem o líder socialista. Teríamos porém que dar uma forte gargalhada. Porque o caso mostraria que o PS ainda não estudou aquele manual elementar sobre teoria dos jogos: se ameaçou o Dr. Coelho com a maioria de esquerda, ameaçou-o com o que ele ambiciona acima de tudo mas que não tem coragem de sonhar, perguntar, pedir, propor, impor ou sequer revelar num suspiro profundo (ser derrotado no voto do programa de governo).

2 responses to “O Socialismo num Só País

  1. António Silvano

    Muito ao contrário do que é seu costume, a argumentação neste post é mesmo muito fraquinha..
    Basta trocar os nomes pelo seu oposto e o argumento mantém-se válido:
    “Alguém acredita que nos defenderemos melhor das exigências dos nossos credores começando por hostilizar a maioria dos portugueses (que não votaram na Coligação)? Um governo de direita enfraqueceu-nos perante Bruxelas, a Alemanha e os credores.”

  2. O Economista Português agradece o comentário e declara concordar com a sua frase final, que reproduz: “Alguém acredita que nos defenderemos melhor das exigências dos nossos credores começando por hostilizar a maioria dos portugueses (que não votaram na Coligação)? Um governo de direita enfraqueceu-nos perante Bruxelas, a Alemanha e os credores.”». Com efeito, e ao contrário do que o leitor suppõe, esta frase complementa, não contradiz, a tese defendida no post. Essa tese é que só um governo de união sagrada, incluindo todas as correntes politicas portuguesas tem condições para resolver a extraordinária dificuldade em que nos encontramos. Um governo de união sagrada não é um governo de direita nem de esquerda, é um governoo de união sagrada.