Orçamento 2016: Desconchavo, Arrogância e Frenicoques da Comissão de Bruxelas

PierreMoscoviciPierre Moscovici: ninguém dá o que não tem

A posição sobre o nosso orçamento para 2016 tomada a seguir às eleições do passado dia 5 pela Comissão de Bruxelas merece exame pois revelam desconchavo, arrogância e frenicoques . Como o leitor sabe, a Comissão, pela boca do socialista francês Sr. Pierre Moscovici, comissário dos Assuntos Económicos afirmou «não ver nenhuma razão» para alterar o prazo para a entrega desse documento, o próximo dia 15 de outubro. «As datas não mudam», sentenciou em estilo de La Rochefoucauld. Mais tarde, quando já cheirava a governo de maioria de esquerda e a socialismo num só país, o trabalhista Sr. Jeroen Dijsselbloem , o presidente do Eurogrupo, tocou a mesma tecla.

A atitude da Comissão

  • Começou por ser um desconchavo: se o governo sem legitimidade política mandasse um papel intitulado orçamento – que valor teria ele face ao orçamento que vier a ser votado em S. Bento?
  • Continuou sendo uma arrogância: para ela, o SemiProtetorado devedor cometeu o crime de eleger um Parlamento. Que interessa isso? Perante os regulamentos comunitários, nada valem as eleições dos devedores. Têm que pagar e cantar. Foi um erro palmar da Comissão, maldades dessas pensam-se mas não se dizem à criadagem, pois ela revolta-se ao ouvi-las.
  • Acabou aos frenicoques: a nervoseira do  Sr. Moscovici revela-o preocupado com  os nossos resultados eleitorais: já percebeu que, seja qual for o governo, os nossos credores terão mais dificuldade em cobrar-nos. Foi o seu nervoso miudinho que o levou ao ridículo erro.

Revelando saudáveis restos de bom senso, o governo disse que não mandava o orçamento até depois de amanhã, mas mandou umas  folharecas e anunciou a manutenção do rigor orçamental – não sabemos em que base política, mas lançou esse anúncio por saber que eram essas palavras que a Comissão dos credores queria ouvir. E o Sr. Moscovici, esquecendo por certo que ninguém dá o que não tem, prometeu dar uma solução «inteligente» para o problema – mas não abdicou do prazo do dia 15, que seria a solução estúpida. Nosso Deus, que inteligência! Estamos numa nova fase: a da trapalhada burocrática com a União Europeia – por causa das eleições. Esta burocracia é política.

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