Campanha eleitoral sobre Economia e Finanças: um mau Serviço a Portugal e aos Portugueses

HumorPreocupaste pq fO cartoon acima é o conselho de Costa, António a Passos Coelho

O Economista Português julga sintetizar o clima da opinião pública culta sobre a política económica-financeira nas seguintes prioridades: 1º respeito do rigor financeiro, para evitar nova vaga de austeridade; 2º apoio social aos mais desprotegidos; 3º aumento do PIB. O Economista Português  informa de passagem que, para ele, aumentar o PIB devia passar à frente do equilíbrio das contas, desde que o défice orçamental decrescesse todos os anos, em ritmo a renegociar com os nossos parceiros.
Como foram tratadas aquelas três prioridades na campanha eleitoral?
• A necessidade de apoio social não foi contestada nem valorizada.
• O rigor financeiro foi desmantelado: todos os principais partidos, da coligação PSD/PP ao Bloco de Esquerda e subliminarmente ao PCP,  foram unânimes em apresentar promessas para aumentar a despesa sem contrapartida na receita do Estado; o leitor surpreende-se por ver no mesmo cabaz o austero Coelho e a perdulária Martins ou o sindicalista Jerónimo? O Economista Português pede-lhe que recorde a lei de Malthus das sensações, definida por Fernando Pessoa: «para que o efeito da sensação aumente em razão aritmética, a fonte da sensação tem que aumentar em razão geométrica». Em termos eleitorais: «quanto maior é a verosimilhança de um partido ganhar as eleições, menor é a promessa que tem que fazer para comprar o eleitor». Como o Bloco ou o PCP tinham pouca verosimilhança de distribuir o carneiro com batatas, prometeram mundos e fundos. No pólo oposto, ao Dr. Coelho, como parecia ter mais probabilidade de ganho eleitoral, bastava-lhe uma menor despesa em promessa eleitoral. O PS estava no meio.
Nunca nenhum dos partidos concorrentes apresentou a menor proposta visando aumentar o PIB. Por vezes sugeriram mesmo a diminuição da produção: a então candidata Srª D. Catarina Martins deu-se à despesa de sobrevoar de helicóptero a península de Setúbal para lá do alto sugerir, por razões misteriosas, o fecho de umas modestas pedreiras. Os programas dos partidos, e o futuro programa de governo, redistribuem o dinheiro que não temos nem nunca teremos.

Por isso, esta campanha foi um mau serviço ao País. Se forem aplicadas as promessas do PSD/CDS-PP e as do PS, gastaremos mais, produziremos o mesmo ou menos e teremos menores receitas; portanto em breve estaremos de novo em pré-bancarrota. A campanha eleitoral deu a indicação errada aos portugueses: mandou-nos gastar mais e produzir  o mesmo ou menos. A classe política voltou a falhar o país. Talvez fosse bom que alguém prevenisse os portugueses. Porque, quando formos de novo derrotados, temos desde já uma certeza: a derrota será órfã.

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