Atenção: os Europeus votam contra a atual União Europeia

EuropaBatataseVinho

Uma UE dividida sobreviverá num mundo cada dia mais perigoso?

Ontem, o partido da Lei e da Justiça  ganhou a maioria absoluta nas eleições parlamentares na Polónia.  Este partido é em geral demonizado como populista; O Economista Português já o qualificou de eslavófilo e germanófobo, sendo talvez sinalizador do fim do ciclo ocidentalizante da política polaca. Certo é que aquele partido é crítico da atual União Europeia (UE).

Os eleitores portugueses terão votado em tudo, mas não votaram na UE tal como ela existe. Parece mesmo que votaram pela ingovernabilidade como meio de se defenderem de uma UE dos credores. Os gregos também não.

É certo que não votaram contra a ideia de uma Europa política  (e económico-financeira) mas votaram contra o que existe sem uma alternativa que não seja nacionalista, por vezes micronacionalista.

O primeiro ministro da Eslovénia, na minicimeira UE de ontem, lançou um apelo desesperado e pouco visto entre nós: sem mais solidariedade, sem outra UE, a decomposição é inevitável. Os sentimentos valem o que valem, mas que essas (ou semelhantes ) palavras foram ditas, foram. Veremos como votam os espanhóis, nas suas próximas eleições nacionais. Seja como for, impõe-se o maior cuidado.

A UE foi sempre uma construção das elites, de natureza mais aristocrática do que democrática; vários votos já a condenaram ou, dito de outro modo, recusaram formas suas; a mais célebre é o referendo francês que matou o projeto de  tratado constitucional, por causa do «canalizador polaco», em 2005. Como o mundo mudou em dez anos! Na altura essas rejeições democráticas não inquietavam porque a UE sentia-se protegida por um crescimento económico contínuo e pela garantia de segurança dada pelos Estados Unidos. Hoje já não é assim e por isso os receios de uma maioria popular contra a atual forma da UE – em geral diabolizada como de extrema direita ou populista. Só que a diabolização deixa os problemas por resolver.

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