A Globalização arcaiza economicamente os Governos de «União da Esquerda»

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Os governos de «União de Esquerda» eram possível quando as fronteiras permitiam o protecionismo do Estado nacional

O programa  do governo de esquerda consiste em usar as fronteiras do Estado nacional para promover a redistribuição doas rendimentos, a reflação da economia por via monetária ou orçamental, as nacionalizações. A globalização torna estes métodos inexequíveis pois ela significa antes de tudo o mais a abolição das fronteiras económicas nacionais no relativo à circulação de mercadorias e de capitais (de pessoas em menor escala).

Vejamos brevemente um exemplo. Quando um governo de esquerda redistribuía os rendimentos antes da globalização, graças a um IRS confiscatório, os ricos e a classe média (as vítimas, neste caso) não tinham o direito de levar os seus capitais para fora desse Estado e fugir com capitais era um crime, arriscado e dispendioso; hoje têm esse direito. Os beneficiários dessa transferência, os pobres, tinham que comprar produtos nacionais, bagaceira ou panos da Covilhã, os únicos com preços  acessíveis no mercado, e assim aumentavam o emprego ; hoje comprarão whisky escocês , irão ao Brasil passar férias  e comprarão roupa estrangeira na Zara, agravando o défice da balança de pagamentos e não criando, ou mesmo destruindo, emprego. O mesmo se passa com as nacionalizações: o Estado nacional não pagava com justiça aos acionistas das empresas nacionalizadas mas os capitais não fugiam pois não havia liberdade de circulação de capitais; hoje o Estado nacionalizador tem que indemnizar bem os nacionalizados, mas mesmo assim os capitais fogem, pois querem evitar perigos, maçadas e ambientes hostis. Fugindo os capitais, diminui a criação de emprego. O governo de União de Esquerda era uma variante do Estado Nacional protecionista.  Como o Estado nacional protecionista é inviável – a globalização matou o protecionismo – , o governo da União de Esquerda é inviável. Uma das últimas experiências de governo de União de Esquerda, a França de Mitterrand, atrasou o país, fortaleceu a Alemanha com o Euro e destruiu o Partido Comunista local, tão maus foram os seus resultados.

Estas impossibilidades sociais nada têm a ver com o ideal de esquerda: igualdade de oportunidades, dentro do respeito da liberdade (incluindo as liberdades de empreender e de ser proprietário) mais o de apoio social a quem não sobreviveria à selva do mercado. A fórmula canónica do governo de União de Esquerda não inclui as chamadas «questões civilizacionais» (divórcio, aborto livre, casamento gay, procriação assistida, eutanásia) mas convém lembrar que o valor político delas não é reutilizável: não é possível por exemplo de seis em seis meses autorizar a liberdade de abortar  (mas no velho esquema protecionista era possível aumentar o salário mínimo de seis em seis meses).

A fórmula do governo de União da Esquerda não atualiza este ideal para o mundo em que vivemos: quer regressar ao passado. Só que o pressuposto social desse passado – o Estado protecionista  – desaparecera e queira Deus que não volte tão cedo.

2 responses to “A Globalização arcaiza economicamente os Governos de «União da Esquerda»

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  2. O Economista Português recebeu de um leitor um comentário que a seguir disponibiliza:
    Agradeço-lhe a reflexão sobre a «união de esquerda», com a qual estou de acordo, e permito-me acrescentar duas notas ligeiras:
    Tanto quanto sei, não tem sido objeto de análise nem de experimentação o que designa por «socialismo»; parece que não ultrapassámos a fronteira da social-democradia, que nem sequer atualizámos…;
    Aquilo que entre nós, com certo aparato histriónico, se designa por «esquerda» parece redundar num extremismo análogo a todos os outros – de esquerda, de direita ou de outra natureza; todos eles parecem convergir para a recusa da assunção efetiva das pessoas e dos seus problemas, bem como para dogmatismos mortíferos de trista memória. Recordo, com frequência, a afirmação atribuída a Lenine segundo a qual «o esquerdismo é a doença infantil do comunismo.