A Eurozona condena a Europa do Sul à estagnação permanente, afirma Hans-Werner Sinn.

Gerlinde Sinn e Hans-Werner Sinn

Hans-Werner e Gerlinde Sinn

A transformação da Eurozona numa «união de transferências» teria como efeito a «estagnação permanente» da Europa do Sul, concluem Gerlinde Sinn e Hans-Werner Sinn, na base da compração com a reunificação alemã. Estas discutíveis conclusões num arrtigo publicado há dias no Frankfurter Allgemeine Zeitun e reproduzido no Vox.

Os Sinn, economistas alemães conhecidos por serem críticos do Euro, consideram que a Eurozona já é uma «união de transferências», depois dos resgates dos países do Sul e da ação do Banco Ccentral Europeu. As propostas francesas acentuarão esse aspeto. A «união de transferências» é um insulto alemão para qualquer união monetária: quando a Alemanha concebeu a Eurozona, pensou que evitaria a menor transferência (=subsidiação) dos países pobres que nela entrassem. A reunificação alemã, segundo os Sinn, teve menos êxito económico do que a opinião geral: a produtividade cresceu até cerca de 70% da da Alemanha do oeste, embora os rendimentos em termos reais tenham crescido até aos 9%. O baixo crescimento da produtividade deveu-se um «crescimento ultra acelerado dos salários» no Leste, o que é sugerido pelo complicado gráfico abaixo.

SinnReunificaçãoAlemã

(Para aumentar, clique no gráfico)

Os Sinn, que resumem com brilho a reunificação económica da Alemanha, criticam a convicção generalizada na Alemanha que a taxa de conversão do Reichsmark (RM), a divisa do pobre Leste comunista, valorizado ao par com o Deutschemark (DM), a divisa da rica Alemanha ocidental, foi a causa da estagnação da produtividade. Para eles, houve a «doença holandesa»: o crescimento dos salários sem aumento da produtividade, que na Holanda ocorreu a seguir à descoberta do gás no mar do Norte: a riqueza gerada pelo gás dopou os salários holandeses. No leste alemão, o equivalente do gás foi o subsídio concedido pela economia rica do oeste da Alemanha à economia pobre do leste. Para a Europa do Sul, o equivalente serão os subsídios nos resgates e na atividade do BCE e o mais que por aí virá – e por isso condenam as propostas do Presidente Hollande: união orçamental completa, europeização das dívidas antigas,seguro comum de depósitos bancários, subsídio de desemprego comum à UE, um único ministro das Finanças e um único parlamento para a Eurozona.

O citado artigo dos Sinn

  • Será eficaz para convencer os países do Sul a ficarem no Euro, pelas más razões: afinal, como eles próprio reconhecem, a integração do leste alemão foi um êxito em termos de rendimento: hoje ganham nove décimos do oeste; fracassou foi na produtividade; mas será que gregos e portugueses se importarão que os alemães trabalhem para eles e os subsidiem? O Economista Português tem pouca tendência para acreditar em paraísos sobre a terra: nunca deu fé ao paraíso comunista e não começará agora a acreditar no paraíso da Eurozona; talvez a classe dirigente portuguesa tenha aderido ao erro do Euro por acreditar no mito «o alemão pagará», mas tal não ocorrerá, ou pelo menos não ocorrerá em escala comparável à do leste germano;
  • Comete um duplo erro lógico ao recusar que a imposição de uma paridade errada e sobrevalorizada ao leste foi a causa da estagnação da produtividade naquela área: primeiro erro, porque consideram que 1 DM=1 RM era o câmbio certo, o que equivale a considerar que o PIB por habitante no pobre leste comunista teutónico era igual ao do rico oeste capitalista, quando era pelo menos três vezes inferior (será que os Sinn nunca foram a Berlim Leste no período comunista?); segundo erro, porque medem os efeitos da revalorização errada da divisa leste alemã num único momento do tempo, o da adoção desse câmbio ultravalorizado, quando esse efeito acontece todos os dias e a todas as horas. Ora como o leitor d’ O Economista Português sabe, é o câmbio alto do Euro que condena à estagnação permanente as economias do Sul da Eurozona; não é o aumento dos salários, que em Portugal aliás não ocorreu;
  • Os Sinn dizem aos alemães que com a «união de transferências» eles empobrecerão a financiarem os países do Sul e dizem aos países do sul que eles empobrecerão porque não haverá transferências vindas da Alemanha – mas as duas ocorrências nunca terão lugar simultaneamente, o que parece escapar ao casal Sinn. Sinnlos (absurdo), diria um alemão.
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