Empresários portugueses: Há pelo menos 115

O Economista Português preparava-se para começar a escrever o tão aguardado post «Ainda há empresários portugueses?». Concluiria com muita tristeza e pouca surpresa que não há, pelo menos na vida pública. As associações empresariais pouco ou nada se manifestaram durante a campanha eleitoral, ou na atual fase de formação do governo. Se têm algum projeto para o nosso país, preferem não o divulgar.

Nas páginas das associações empresariais, mal se notava que Portugal se preparava para guinar da direita para a esquerda. A Confederação Industrial Portuguesa (CIP) discreta tinha sido e discreta continuava. Era o que sugeria o começo da sua página, no início do dia de hoje. O leitor verá a seguir.CIP

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Se o leitor clicasse na caixinha à direita, o que a CIP quer do novo governo, leria palavras sábias, tão válidas em Portugal como em qualquer outro país do mundo atual. A Confederação dos Agricultores (CAP) tinha emitido durante a campanha eleitoral umas dúvidas sobre partidos de esquerda (como é seu hábito, aliás), mas remetia-se à tradicional paz rural. Era o que sugeria o começo da sua página na WWW, que de seguida reproduzimos; como o leitor  verá, destaca um atualíssimo curso sobre o sobreiro.

CAPA Confederação do Comércio Português (CCP), numa hábil entrevista do seu presidente, o Engº João Vieira Lopes tinha sugerido,  com boa educação o seu apoio ao aumento do salário mínimo, indispensável para aumentar o consumo privado, de que os seus associados dependem, mas  não fora tão longe como o PCP/CGTP,  mantinha a indiferença das colegas pela vascas da atual política portuguesa e não se aventurava por terrenos sociais mais complexos ou mesmo mais fascinantes. Veja o começo da página, como as anteriores colhida nas primícias do dia de hoje.CCPPortugal visto pelas associações empresariais era portanto mais tranquilo do que a Noruega e mais monótono do que a Finlândia. Antes de escrever o tal post, por descargo de consciência, O Economista Português decidiu, crente embora nas páginas das associções empresariais,  dar uma ronda na imprensa e na Web. Lembrou-se que as associações empresariais em Portugal são tão numerosas, que nem Deus as conhece, e tão pouco ativas, que mesmo os evos as tomam por apenas moderadamente diligentes. Descobriu (já suspeitava, aliás) um manifesto dito dos 100 empresários, mas que na realidade inclui 115. O nome mais conhecido é o do Engº Francisco van Zeller, que o leitor por certo recorda pois foi durante alguns anos presidente da CIP. Os 100/115 foram no caso dinamizados pela Associação das Empresas Familiares. O título sugere catolicismo social mas a razão social é unir empresas cujos administradores são ao mesmo tempo seus proprietários. É uma versão dignificada das PME e uma adaptação local do Mittelstand alemão. Presume-se que não sejam partidários acérrimos do capitalismo brejneviano hoje vigente.

O manifesto reza: «Portugal tem pela primeira vez um crescimento apoiado pelas exportações e não pelo crédito. O crescimento do PIB de 1.5% ainda é tímido, mas mesmo assim já é superior à média de 0.7% dos anos 2000-2010». Acrescentam: «Esta recuperação pode estar posta em causa pela incerteza que Portugal atravessa».  Concluem: «Manter a recuperação económica é o nosso principal objectivo e missão».

O manifesto quer o fim (o crescimento) mas não diz os meios para o alcançar, além da estabilidade política – o que, entendido à letra , significa que está tudo bem, exceto a ausência de uma maioria parlamentar de um só partido; não se declara contra o governo de esquerdas, embora a imprensa (a maior parte dela, pelo menos) assim tenha concluído, pois leu mais o subtexto do que o texto do manifesto.

A leitura do texto sugere o tristemente célebre «ah sim», tradução portuguesa do britânico «And so what». Claro que os 100/115 não são obrigados a dizerem mais do que querem dizer. Mas desenvolverão uma ação continuada? Ou, lançada esta palavra flamejante, retornarão aos seus casulos, bem longe da opinião pública? Veremos.

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Para ler o texto do manifesto dos 100/115, acesse o link seguinte

http://www.empresasfamiliares.pt/agenda?article=12693-manifesto-dos-100-empresarios

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