«Acordo Político» de Esquerdas: a Incerteza institucionalizada >>> Abaixo, está disponível um Post sobre o «Programa» de Governo

AbeiradoAbismoCairá? Não cairá?

O post seguinte analisa o projeto de «programa» do governo de esquerdas; ele foi redigido antes de ser conhecido o «acordo político» que lhe está na base. Esse acordo foi há horas divulgado: o Bloco de Esquerda e  o PCP comprometem-se a não votar moções de censura do PP e do PSD mas não se comprometem a votar a moção de confiança, nem a votar o orçamento nem a não apresentarem as suas próprias moções de censura. Estamos portanto muito longe de um  acordo político, tanto mais que aqueles dois partidos não integrarão o governo. Como o PP e o PSD não se comprometeram a não votarem uma futura moção de censura do BE ou do PCP, o horizonte da «legislatura», na expressão de Jerónimo de Sousa, retomada por António Costa, é apenas uma intenção, a que não corresponde nenhum efetivo compromisso político ou moral.  Está assim institucionalizada a incerteza, como aliás seria de prever, pois o eleitorado não votou um governo de esquerdas (o leitor recorda-se que o Dr. António Costa disse que gostava de ter num governo seu a Drª Manuela Ferreira Leite o que ninguém de boa fé interpretou como querendo um governo apoiado pelo PCP ou pelo BE). O leitor imagina com facilidade o bem que esta institucionalização da incerteza causará nos mercados financeiros e por isso colocará o cinto de segurança.

Em tempo: diferente é a questão constitucional de saber se o governo de esquerdas deve ou não ser empossado. O presente post não se pronuncia sobre esse tema, por óbvias razões de divisão social do trabalho.

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