Hoje em S. Bento: preparar o Século XXI ou regressar ao Século XX ?

Robots2014BankOfAmericaPortugal nem figura (o gráfico final explica-lhe a razão da ausência) Fonte: Bank of America

Os robots ocuparão 45% dos empregos na indústria transformadora dos Estados Unidos na próxima década, afirma um relatório do Bank of America. Este é um desafio do século XXI  O leitor verificará se hoje, ao discutirem em S. Bento o programa do governo, os deputados abordarão estas questões. O Economista Português aposta que se se entreterão com ideias voluntaristas, herdadas do leninismo e dos tempos do protecionismo económico: como o rei da chuva, mandarão aumentar a quantidade de chuva, subir o PIB e o salário mínimo.

Não são só os nossos políticos que vivem no século XX. Um dirigente empresarial, aliás inteligente e capaz, sentenciava há dias: «Não partilhamos a ilusão da chamada reindustrialização.» Não partilha a ilusão porque desconhece que a reindustrialização é a substituição por robots da querida classe operária (que o futuro governo de esquerdas pretende embalsamar  ou musealizar). O ritmo da tecnologia de rotura passou de linear a parabólico.  O grau de robotização da Eslovénia e da Eslováquia, países com um PIB por habitante semelhante ao nosso, sugere que se não fosse o arcaísmo dominante, o nosso grau de robotização deveria ser muito superior ao atual. Com efeito, nos últimos 25 anos, o preço dos robots  foi dividido pelo fator cinco. Nós preferimos engendrar uma crise de pagamentos externos – e regressarmos às teses agraristas do começo do século passado: não temos vocação para país industrial. Dantes, a nossa vocação era agrária. Hoje é dos serviços. Explicar-nos-ão que não temos robots porque somos muito mais inteligentes do que alemães e japoneses (e do que praticamente todo o género humano). Só que que muitos dos serviços serão dos principais atingidos  pela revolução robótica: advogados, contabilistas, telefonistas, cuidado. E trabalhadores do comércio ou dos serviços: se o leitor for comprar um aspirador, a vendedora propor-lhe-á um aparelho já robotizado.

O gráfico seguinte, que O Economista Português publicou pela primeira vez o ano passado, mostra a razão porque o Bank of America nos ignora: estamos abaixo da escala no que toca aos robots industriais. Ninguém nos vê.

Robots2007

Mais informações sobre a robotização atual e futura em

http://www.theguardian.com/technology/2015/nov/05/robot-revolution-rise-machines-could-displace-third-of-uk-jobs

http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11978542/Robots-may-shatter-the-global-economic-order-within-a-decade.html

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2 responses to “Hoje em S. Bento: preparar o Século XXI ou regressar ao Século XX ?

  1. Acho curioso começar por dizer que as ideias leninistas e a classe operaria estão mortas e depois profetizar (100% de acordo) uma sociedade em que cada vez mais o capital humano (factor trabalho) é desnecessário.
    E as consequências sociais e politicas dessa sociedade ? A robotização da sociedade é inevitável e desejável mas… O que fazer quando a taxa de desemprego for de 50% ou mais? Será que não está a anunciar a morte do esquema económico que ainda existe? Os ideiais socialistas morrem porque não há classe operária mas e os capitalistas? Com meios de produção poderosíssimos que não necessitam de incentivos com organizar a sociedade ? Pode uma sociedade viver com uma população enorme desempregada a passar privações ? Quanto a mim tenho a certeza que muito vai mudar nos próximos anos espero apenas que mude rápida e tranquilamente sem grandes sobressaltos.

  2. O Economista Portugus agradece o comentário e mais agradeceria se ele não lhe movesse o processo de o considerar defensor incondicional do statu quo – processo que paradoxalmente lhe é movido a propósito de um post que defendia a revolução robótica. O leitor qualifica de «curioso» que alguém dê o leninismo por arcaico e defenda a revolução robótica mas a curiosidade está a mais pois o leninismo assenta na teoria marxista do «valor trabalho» – a ideia que só o trabalho produz valor – e os robots mostram na prática o infundado da teoria. O mundo está em revolução e a maneira de a aproveitar e enfrentar é defender princípios morais de respeito pelo homem, procurando unificar toda a humanidade, e não defendendo teorias de segunda classe maquiavélica que atiram os homens uns contra os outros, que arbitrariamente classificam uns de trabalhadores e outros de preguiçosos, uns de amigos (e donos) da democracia e outros de seus inimigos (e dela expropriados).,