O novo Resgate é um Mito: a Realidade será Pior

AntónioCostaBemDisposto

O Banco Central Europeu acabou de nos cortar o crédito, anunciará o Dr. António Costa, com a sua habitual boa disposição

Os críticos do futuro (e eventual) governo de esquerdas têm alimentado a ideia que o seu despesismo conduzirá a novo resgate. E apresentam-no como uma desgraça. A realidade será pior: o resgate ocorreu quando a Eurozona não tinha montado os seus processos de fiscalização orçamental e de ajuda aos patos-coxos; esses processos estão hoje montados. O leitor lembra-se que o governo do Syriza na Grécia só a muito custo conseguiu um terceiro resgate: porque as regras já não o não previam.
Na realidade, se o próximo governo violar as regras orçamentais da Eurozona e da União Europeia (UE), a banca portuguesa deixará de ter acesso ao crédito do Banco Central Europeu (BCE). O que adicionalmente significa que o estado deixará de emitir dívida pública. Seguir-se-á uma vaga de falências. Só subsistirão as empresas hiperlucrativas. Para uma economia ainda mais encolhida, recomeçará depois o crédito. No resgate, ainda veio algum dinheiro. Da próxima (se houver próxima) não virá, pelo contrário: a torneira do crédito ser-nos-á fechada. O Economista Português antecipa já o rosto bem disposto do Dr. António Costa quando anunciar aos portugueses que lhes foi cortado o crédito, com a mesma bonomia com que ontem nos disse que, no dia em que o PCP ou o Bloco de Esquerda quiserem acabar com o governo, o governo acabará: é como o divórcio no civil, explicou. Antes de ontem, a propaganda garantira-nos a estabilidade do governo de esquerdas: era como o casamento católico, indissolúvel. Afinal, estaremos em instabilidade matrimonial – à falta da banal de estabilidade governamental.

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