Recado do FMI a Portugal: Modere o Crescimento Salarial

ModeratingWagesGráficosO PIB cresce mais no país que modera os salários, quando é o único a agir com essa moderação. A linha encarnada significa que apenas um dos países em crise modera os salários; a linha azul que os moderam todos os países em crise (cerca de 30% do PIB da área) ; a linha negra que toda a Eurozona os modera (Fonte: ver texto) Para aumentar o gráfico, clique sobre ele

Os salários devem ser moderados nos países em crise da Eurozona: Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda, Itália. A recomendação consta de um documento de trabalho do Fundo Monetário Internacional (FMI), há dias publicado. O documento em teoria não vincula o Fundo mas, entre os que autorizaram a sua publicação, está o nosso bem conhecido Sr. Poul M. Thomsen, o que sugere que as motivações de oportunidade não lhe foram estranhas. Como é sabido, no nosso país o governo de esquerdas propõe-se aumentar o salário mínimo nacional obrigatório muito acima da produtividade, o que é suscetível de causar decréscimo do PIB e desemprego.
Quanto menos países moderam os salários, maior é o prémio do dos moderados. É o que mostra o gráfico acima, extraído do documento em apreço. O documento de discussão do pessoal do Fundo, Wage Moderation in Crises Policy Considerations and Applications to the Euro Area, não se dirige apenas aos países em crise. Ele defende que o crescimento é maximizado se os países da Eurozona que não têm problemas de competitividade nem de desequilíbrio orçamental aumentarem os salários: assim, aumentará o PIB global da Eurozona. O documento defende ainda que o PIB é aumentado com a continuação da política de quantitative easing do Banco Central Europeu (BCE).

A problemática do documento situa-se no cruzamento da lógica das uniões monetárias, como a eurozona, e da política do FMI para os défices de pagamentos: o Fundo aconselha a desvalorização, mas esta é impossível numa união monetária. Nas uniões monetárias, o Fundo recomenda a «desvalorização interna», obtida através de reformas ditas estruturais, e que está longe de ter sido um êxito; o presente documento inova pois propõe uma política de rendimentos, isto é, a redução forçada dos salários (2%, no caso).

O FMI continua a manifestar uma criatividade no campo da teoria económica que falta aos burocratas de Bruxelas ou de Frankfurt. À primeira vista, a nova política é mais brutal para os assalariados do que a atual. Porém, a política de rendimentos tem implícito que os assalariados, sacrificados com a redução salarial, devem ser compensados de algum modo, compensação que falta nas políticas habituais do Fundo, pois estas revestem-se da aparência de naturalidade, de conformidade com um mercado saído da lei divina.

O documento está disponível em

http://www.imf.org/external/pubs/ft/sdn/2015/sdn1522.pdf

http://www.imf.org/external/pubs/ft/sdn/2015/sdn1522.pdf

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