A Maioria dos Economistas ouvidos por Cavaco criticou o Programa de Governo do PS

Cavaco ouviu ontem sete economistas. Nenhum tomou uma posição expressa sobre o futuro governo, mas a maioria criticou o programa já anunciado. Apenas dois foram benévolos. Quatro criticaram de modo explícito o programa de governo de esquerdas. Entre os críticos estão dois antigos ministros da Economia do PS.

VítorBentoVítor Bento e Fernando Teixeira dos Santos proferiram declarações simpáticas para esse programa. Bento declarou que a economia necessita de «estabilidade política», a que acrescentou: « rigor e estabilidade financeira, flexibilidade e baixos custos de contexto» (uma expressão que designa regulamentos que encarecem os custos de produção das empresas);

TeixeiraDosSantosSantos, o segundo ministro das Finanças do licenciado em engenharia José Sócrates foi mais explícito: pediu que o próximo Governo mantenha «compromissos com o exterior» , o que o Dr. Costa já prometeu; pede também que o próximo orçamento assinale que « país vai continuar empenhado em manter as finanças públicas perfeitamente sãs e controladas», de modo a diminuir a dívida, o que o Dr. Costa também prometera.

LuísCamposeCunhaLuís Campos e Cunha, que foi o primeiro ministro das Finanças de José Sócrates, escolheu uma posição equidistante entre o elogio e a crítica do programa de esquerdas: tocou a tecla da necessidade de estabilidade política, favorável ao PS, mas burilou outros elementos que são, ou talvez sejam, desfavoráveis: estabilidade n as áreas fiscal e laboral e que os políticos renunciem a «ataques pessoas».

Dois ministros da Economia socialistas criticaram o programada do PS.

DanielBessaDaniel Bessa: afirmou não acreditar que « a economia cresça pelo mercado interno», que é uma das apostas do governo.

AugustoMateusAugusto Mateus julga que o acordo de esquerdas ultrapassa a «margem de manobra» de que o país dispõe; critica o modelo do aumento do consumo e defende a internacionalização da economia; defende regras estáveis e por isso manteria a convergência no IRC..

Outros dois críticos foram antigos ministros das Finanças, João Salgueiro, do PSD, e Bagão Felix, do CDS.

JoãoSalgueiroSalgueiro, um economista respeitado, qualificou de simples «oportunidade» a aliança de esquerdas e de «estratégico» um governo PP, PSD, PS, que declarou preferir; o programa de governo não revela uma estratégia de desenvolvimento, é despesista, esquece o investimento.

BagãoFélixPara Bagão, o acordo à esquerda é «de curto prazo», exclui «reformas sistémicas», apenas desfaz a obra do anterior governo e não dá garantias; qualifica o acordo de despesista: «das 27 medidas negociadas, 16 significam um aumento da despesa pública, e seis representam uma diminuição da receita fiscal. Só três são neutras».

Dos economistas ontem ouvidos pelo Presidente da República, pelo menos quatro são próximos do PS. Violaram a disciplina partidária? O Economista Português anota que esta maioria de economistas socialistas gera uma maioria de críticas ao programa de governo socialista.  Esta proporção de opiniões será representativa dos economistas portugueses? A Ordem dos Economista podia organizar um referendo: «concorda com o programa do governo de esquerdas centrado no PS?».

2 responses to “A Maioria dos Economistas ouvidos por Cavaco criticou o Programa de Governo do PS

  1. Escolha uma mão cheia de pessoas que lhe dirão o que quer ouvir (e sobretudo que o farão saber para a opinião pública) e as suas declarações serão completamente previsíveis e logo, por definição, terão um conteúdo informativo nulo. Ah, e já agora, que as doutas personalidades ainda acreditem na Lei de Say é compreensível, que o meu caro Economista vá atrás delas, já é mais estranho. Ou talvez não, dadas as posições que tem tomado nos últimos tempos…

  2. A frase final do post comentado pelo leitor era a seguinte: «Esta proporção de opiniões será representativa dos economistas portugueses? A Ordem dos Economista podia organizar um referendo: «concorda com o programa do governo de esquerdas centrado no PS?». Não obstante esta frase, o leitor escreve que o «caro Economista» vai «atrás delas», das opiniões maioritárias, presume-se. Porquê atrás? O Economista Português tem escrito sobre esse tema há semanas, bem antes dos referidos economistas terem ido a Belém. O leitor só não considera «mais estranho» o incriminado comportamento «dadas as posições que [O Economista Português] tem tomado nos últimos tempos». O Economista Português agradece o comentário e solicita o elenco das suas posições, ora condenadas à fogueira, sem o que terá que dar por nula a desagradável e imprecisa insinuação. Porque, como é razoável num Estado de Direito, sem fogueiras inquisitoriais nem distribuição partidária de verdades, o leitor, e qualquer pessoa, tem o direito de discordar d’ O Economista Português, mas não tem o direito de sobre ele lançar insinuações negativas que é preferível pelo menos de momento não qualificar com mais rigor.