Defensores do Aumento do Salário mínimo obrigatório reconhecem: «pode» criar Desemprego

EmpresáriosVitorianosEmpresários e empresárias portugueses (pequenos e médios) desprovidos de «visão estratégica»  num curso acelerado de ASMNSAAP (Aumento do Salário Mínimo Nacional Seguido Automaticamente de Aumento de Produtividade) ministrado no AEICEP-ML, por uma economista dificilmente identificável

O Economista Português comentou ontem os aspetos quantitativos de uma apologia do aumento radical do aumento salário mínimo obrigatório. Esse comentário, aliás não contraditado, mostrava que os não assalariados subsidiavam os assalariados pelo salário mínimo legal.

O Economista Português assinala hoje outro aspeto da apologia do salário mínimo obrigatório: aumentar o salário mínimo obrigatório implica aumentar o desemprego. Alguns defensores desse aumento sabem  que ele implica aumentar o desemprego e receiam declará-lo; citemos do referido artigo: «Se, por um lado, aumentar o SMN [Salário Mínimo Nacional = obrigatório] pode criar desemprego vindo das empresas que vivem de lógicas intensivas, por outro “pode incentivar as empresas a modernizarem-se, já que muitas delas, que não são produtivas, só sobrevivem por causa do baixo custo da mão-de-obra”, diz Alexandre Afonso», apresentado como  professor de Políticas Públicas na Universidade de Leiden (Holanda).  Afonso considerou desnecessário contabilizar o desemprego vindo das empresas que «vivem de lógicas intensivas» e considerou também desnecessário contabilizar o emprego criado pela extraordinária categoria seguinte: «“pode incentivar as empresas a modernizarem-se».  Isto é: o desemprego por via do aumento do salário mínimo é um «pode» do género certeza; o aumento da produtividade é um pode do tipo incerteza. O imoderado uso do «pode» pelos utentes da escola de Leiden é uma frágil flor de retórica: criará desemprego, talvez crie emprego.

O Economista Português estará a ser pessimista? Outro respondente   no mesmo artigo qualifica assim os empresários que aumentarão o emprego em resposta ao desafio para fomentarem o desemprego: «Falta visão estratégica do pequeno e médio empresariado, culpa de uma visão tradicionalista», disse Elísio Estanque,  sociólogo e professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. A «visão tradicionalista» dos criticados empresários desaparecerá a tempo  passarem a empresários modelares  e criarem emprego para substituírem e ultrapassaremos o que «pode» ser destruído pelo aumento do salário mínimo legal? Que milagre moderno operará essa passagem de larva empresarial a ave do paraíso capitalista?

De acordo com esta teoria peregrina e hipervoluntarista, mal estejam dotados de  «visão estratégica», os ditos empresários  criarão emprego. É uma interessante experiência social: visão estratégia > criação de emprego. Ainda nenhuma economia a testou. Quem dará aos empresários a tal visão a tempo e horas de criarem emprego sem nos lançarem numa catástrofe social  a fim de pormos à prova as teorias sociais voluntaristas da CGTP e do general Vasco Gonçalves, que Deus tenha? Será Afonso?  Será Estanque? Estão os experimentadores dispostos a assinar garantias pessoais a favor dos eventuais prejudicados pelas suas experiências teóricas?

ScvhumpterDestruiçãoCriadora

Joseph Schumpeter descreveu o capitalismo, a fronteira inultrapassável da humanidade (até ao momento), como um processo de «destruição criadora»: empresários criam novas empresas mais produtivas que no mercado competitivo destroem as anteriores menos produtivas: Henry Ford substituiu a tração animal pelo motor de combustão interna (sem exigir do governo de Washington um salário legal mínimo artificialmente elevado para os trintanários, de modo a obrigar os americanos a comprarem veículos motorizados). O artigo do Diário de Notícias imagina o capitalismo (o lado produtor da nossa economia) como um processo de «criação destrutora»: o Estado «cria» um salário mínimo destrutor, leva assim empresas à falência sob o pretexto de os seus empresários estarem desprovidos de «visão estratégica», mas não as substitui por outras mais produtivas nem consente que surjam novos empresários. Os proponentes destas arriscadas experiências sociais terão passado no exame de Schumpeter? Quem diz Schnmpeter diz Samuelson ou mesmo a teoria da empresa.
O leitor fará o favor de relevar o estilo direto: estamos a falar de assuntos sérios
, como seja o emprego de muitos portugueses, e não de uns vagos exercícios literários para as aulas práticas sobre as PME portuguesas a elaborar por uns respeitáveis estudantes universitários de Leiden ou de Coimbra.

O artigo referido está disponível em

http://www.dinheirovivo.pt/economia/salario-minimo-esta-cada-vez-mais-longe-da-media-do-euro/

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