Novo Banco: Centeno contradiz-se sobre poderes do BdP

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Quem manda no Novo Banco: o governo ou o BdP?

Segundo o Diário de Notícias, ontem, no debate parlamentar do programa de governo, «Mário Centeno remeteu para o Banco de Portugal (BdP) e para o Fundo de Resolução a solução sobre a venda do Novo Banco». Na mesma ocasião, o novo ministro das Finanças criticou declarações do Dr. Sérgio Monteiro, que, após o seu êxito na venda da TAP, foi contratado pelo dito Fundo de Resolução para vender o Novo Banco: foram «despropositadas» e, o que é mais, «Não são do agrado do Governo». O governo reuniu e repreendeu um funcionário que a lei supõe independente. Curiouser and curiouser, como resmoneava a Alice? AliceCuriouserAndCuriouser

As duas declarações governamentais são contraditórias: se o BdP e o Fundo fossem independentes dos governo, este não teria a necessidade nem a possibilidade de lhes retirar a confiança; mas retira-a; se o governo lhes retira a confiança, como pode afirmar que lhes compete resolver a crise do Novo Banco? O atual governo parece tentar manter a mesma ficção do anterior executivo sobre a independência do regulador bancário: quer ser ele a mandar, por trás do reposteiro da regulação independente.

Sem grande êxito, tal como o predecessor. Aquela formulação tem um outro e mais grave inconveniente: se o Novo Banco não for vendido por 4,9 mil milhões de euros, os prejuízos serão superiores ao previsto; ou serão suportados pela banca comercial cuja estabilidade financeira será fragilizada, pois será chamada a capitalizar o Fundo de Resolução — ou pelo contribuinte, o que não parece suscitar o entusiasmo do PCP e do Bloco de Esquerda. Nem do Dr. António Costa que ontem se comprometeu a não apresentar propostas vetadas pelo PCP.

O nosso governo terá mais dificuldade em livrar-se do caso BES do que parece supor.

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