Desafio à Concertação Social: Quantos Desempregados resultarão de Aumentar o Salário Mínimo obrigatório? Segue a Metodologia pela Oferta e pela Procura

SalárioMínimoDesemprefgoOfertaProcuraFonte: Cenário d’ O Economista Português

O Economista Português desafia a Concertação Social a quantificar os   desempregados que resultarão do aumento do Salário Mínimo que, obedecendo ao governo, se propõe aprovar amanhã. Há dias, referimos o valor máximo desses desempregados, para os valores anunciados. Hoje, colocamos em cima da mesa uma proposta mais precisa, cujos dados básicos estão sumariados no gráfico acima. Calcularemos o desemprego derivado do aumento do Salário Mínimo obrigatório por dois métodos de cálculo: pelo lado da oferta e pelo da procura.
Comecemos pela oferta. Para tanto, a Concertação Social dar-se-á ao incómodo de averiguar, ramo de atividade económica por ramo de atividade económica, qual a distribuição das empresas segundo o peso dos salários e encargos com a mão de obra no total do custo de exploração; mas este dado em si mesmo só era relevante na economia soviética, de comando central e sem valor de mercado; o que por certo interessará a Concertação Social a qual verá a que corresponde em valor o aumento de salários mínimo, que se propõe impor, e compará-lo-á com o lucro das empresas (se for às receitas do custo de exploração, o desemprego será maior, pois as empresas por hipótese dispõem de receitas que não vão à conta de exploração). Quando o lucro for inferior ao aumento do salário mínimo obrigatório, a empresa despedirá ou fechará, consoante as proporções que a Concertação Social obviamente calculará e publicará, para todos ficarmos cientes da sua competência e empenho no desempenho da função que a lei lhe comete. O resultado está sumariado na coluna da esquerda do gráfico acima e a área a encarnado mostra toscamente embora o volume de despedimentos.
O Economista Português está certo que este raciocínio não é estranho à Concertação Social: o Governo intoxica-a com dados das contas de exploração para demonstrar que um aumento dos salários na % x tem um efeito no total dos custo de exploração sempre inferior a x, o que é aritmeticamente inevitável devido à ponderação dos custos de produção não salariais – e à inexistência em Portugal de empresas que empreguem trabalhadores aos quais não fornecem nenhum instrumento de produção nem mercadoria para venda. O Governo esquece-se é de comparar os valores brutos do aumento do custo de produção assim determinado com o lucro bruto da empresa obrigada a aumentar salários. São as «contas de exploração da Carochinha».
Os dados fornecidos à Concertação Social no nosso país parecem ser secretos, tipo Arábia Saudita, mas a intoxicação a que o Governo procedeu no final da semana passada confirma que repete a prática habitual das chamadas tais «contas da Carochinha». Claro que os parceiros sociais têm o direito de conservarem para si as suas táticas, incluindo o Governo, mas o Governo não tem o direito de esconder aos cfdadãos os números que apresenta aos parceiros sociais (exceto se não for o governo da República Portuguesa mas sim o Governo de um grupo de cidadãos portugueses).
Estimemos agora o desemprego provocado pelo lado da procura. O aumento dos custos de produção é estimado do mesmo modo que no caso anterior. Por simplicidade, estimamos que o preço de venda é igual ao custo de produção, mas a concertação social, apoiada nos seus minuciosos estudos, por certo acrescentará com facilidade os valores eventualmente em falta. O aumento de preços (dado pela área de rabiscos encarnados), derivado do aumento obrigatório de salários, é absorvido pelos preços no mercado mundial? Isto é: a empresa obrigada tem condições para aumentar o preço de venda dos seus produtos, repercutindo neles o aumento salarial a que foi compelida? A resposta a esta pergunta deverá ser obtida em colaboração com a AICEP e depende do produto em causa. Se a empresa for uma «price taker», se atuar em mercado de concorrência perfeita sem a possibilidade de influenciar o seu preço de venda ou for uma oligopolista secundária, então terá que fechar, despedir ou absorver o aumento de custos e a Concertação Social, para calcular o montante de despedimentos que a sua própria ação provocará, deve averiguar o montante dos lucros das empresas nesta situação: ou os lucros pagam o aumento dos salários ou os assalariados a mais são despedidos – sempre partindo do princípio que os empresários, bondosos ou pacientes, prescindem dos lucros e mantêm a empresa só para manterem o emprego. O resultado está nas coluna à direita do gráfico acima e a área a encarnado mostra toscamente o volume máximo de despedimentos.

Vendo bem, no caso dos despedimentos por virtude do aumento do Salário Mínimo obrigatório, O Economista Português pede apenas o que lhe prometem sem encargo para o contribuinte nem devassa das liberdades: governo transparente.

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