Reestruturação da Dívida: Obrigado, FMI, pelo Apoio à «União Sagrada»!

BAZAS

Como o leitor sabe, O Economista Português considera insustentável a nossa dívida (incluindo a privada). E por isso necessariamente reestruturável. Sempre considerámos, porém, que era melhor ser o Banco Central Europeu a pagá-la do que sermos nós a reestruturá-la.  Em vez da reestruturação, tivermos aquele senhor ministro das Finanças que falava português com sotaque marciano e se enganou nas contas e aliviou os funcionários públicos do 13º e do 14º meses.

Ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou uma avaliação da sua política financeira durante a crise na qual revela: não acreditou que a nossa dívida fosse sustentável, mas fez de conta para evitar o contágio.

O contágio é política. Por isso, o FMI reconhece que, se tivéssemos um governo de união sagrada, como O Economista Português defende, estaríamos melhor: pagaríamos menos juros e amortizaços. Um governo de união sagrada é um governo com todas as forças políticas portuguesas, estejam ou não representadas em S. Bento.

Mas os nossos governantes estão habituados, e mantêm o seu poder, por nos mandarem pagar juros e amortizações. Vivemos numa fórmula governativa bem diferente da união sagrada: vivemos no governo das esquerdas que estão no governo que temos. Conseguirá este governo de esquerdas enfrentar a União Europeia? É que ontem, a Comissão de Bruxelas já anunciou que o nosso governo não tem margem de manobra para os anunciados presentes de Natal. O PCP e o Bloco de Esquerda votam com alacridade estalinista e trotskysta as leis keynesianas do Dr. Costa (hoje toca aos funcionários públicos ainda por reformar); essas leis são expletivas para não lhes chamar inúteis; são leis de aquecimento, leis financeiras sem cifrões nem números; mais tarde veremos quem vota o orçamento de 2016, com cifrões e números. Palpita-nos que muito sofrerão as manas Mortáguas, como terá dito o pai delas.

O Economista Português pede que lhe relevem escrever hoje, quase véspera de Natal, sobre reestruturação da dívida, um tema fora de moda desde que os seus defensores (à direita na ilustração abaixo), patenteados defensores do povo pobre, passaram das esfomeadas bancadas da oposição (à esquerda na ilustração infra) para a mesa do orçamento, a fim de ajudarem a resolver o problema da pobreza em Portugal e da dívida sem reestruturação.

PorcaDaPolíticaBordaloPinheiro

 

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Mais informação: conferência de imprensa do FMI sobre o relatório de avaliação do «reajustamento» («crisis program review»)

http://www.imf.org/external/pubs/ft/survey/so/2015/pol121615a.htm

e o célebre «crisis program review»

http://www.imf.org/external/np/pp/eng/2015/110915.pdf

 

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