«Deux ou trois choses que je sais d’elle» («elle» é o caso Banif)

AntónioCostaComMerkelCosta para Merkel: «Madrinha o chefe do viceprotetorado agora sou eu, obedeço-lhe em tudo mas tire daí as mãozinhas» (O Economista Português esclarece que Costa foge da Madrinha, ou aparenta fugir, por razões pessoais e não políticas)

O caso Banif é muito educativo : o PS/Costa enganou-se ou enganou-nos ; As nossas instituições político-financeiras são uma farsa – ou mentem; somos governados como carneiros, aos quais não é preciso dizer se vão para a fonte ou para o curral; o nosso Estado é governado pelos credores e nós, os devedores, não estamos nele representados. A seguir há mais.

O PS enganou-se ou enganou-nos

O PS nunca falou do caso Banif durante a campanha eleitoral para as legislativas. Porquê? Talvez por o considerar irrelevante: a Srª D. Ana Catarina Mendes, secretária geral adjunta do PS, disse-nos que os 2,2 mil milhões do Banif não agravavam o défice. Como é possível alguém contar hoje em dia semelhante história da carochinha? Ainda há João Ratão à antiga? Mais ou menos à mesma hora o Sr. Ministro das Finanças, do governo parlamentarmente sustentado pela mesma Srª D. Ana Catarina Mendes, anunciava um Orçamento Retificativo e referia o óbvio: o défice estatal agravar-se-á devido ao Banif.
O PS não pode ter omitido o caso Banif por o ignorar. Toda a gente sabia. A 1 de outubro passado, o Diário de Notícias publicava com destaque o seguinte título: «Peritos de Bruxelas já admitem perdas dos contribuintes com o Novo Banco». O leitor, e o desmemoriado socialista avulso, têm oportunidade de consultarem esse precioso artigo se clicarem em
http://www.dn.pt/politica/interior/peritos-de-bruxelas-ja-admitem-perdas-dos-contribuintes-com-o-novo-banco-4809063.html
Por isso, a propósito do Banif, O Economista Português coloca ao Dr. Costa a mesma pergunta que a propósito do BES endereçou ao Dr. Coelho, que também pretendia ignorar o seu caso Banif, que na altura dava por caso BES: por onde tem andado, caro dr?

De passagem e para memória futura: o Dr. Costa ignora também o caso Montepio? Conhece o caso Finibanco? A expressão Novo Banco diz-lhe alguma coisa?
O Dr. Costa segue outra linha de propaganda: a culpa do caso Banif é do governo do Dr. Coelho. Esta acusação é uma óbvia projeção freudiana: o chefe do PS acusa o do PSD do que lhe vai na sua própria alma acusatória. Se o Dr. Coelho era assim tão mau, que bondade bizarra levou o Dr. Costa a ocultá-la e a não nos prevenir a tempo? Porque não se preparou melhor para solucionar o caso Banif? O Dr. Costa pressupõe que o caso Banif não tinha solução, dada a maldade intrínseca e extrínseca do Dr. Coelho; mas perde razão porque não nos preveniu a tempo dessa sua íntima e irrefragável convicção. Porque se deu à maçada de nos pedir que o elegêssemos, caro Dr. Costa, se afinal não tinha solução, ou tinha a mesma solução do seu colega das Jotas, o conhecido Dr. Coelho? A Comissão de Bruxelas recordou ontem que, a partir de 1 de janeiro de 2016, a resolução dos bancos será paga também pelos grandes depositantes, o que permite aliviar o contribuinte; o que sugere que o governo antecipou a decisão de Bruxelas para, sacrificando os contribuintes, aumentar a verosimilhança da responsabilidade de  Coelho no Banif, a qual iria diminuindo com a passagem do tempo.

O Economista Português aproveita o ensejo para dar ao Dr. Costa uma informação que talvez se revele preciosa para o seu futuro profissional: tem que ter cuidado ao repetir a acusação; é que ela cairá mal em Bruxelas. Pela simples razão que todos os atos do viceprotetorado Coelho em relação ao Banif foram homologados por Bruxelas. A acusação diz na realidade: Coelho e a Comissão Europeia são igualmente incompetentes.
Os «aparelhos ideológicos do Estado» (nome gentil que o Dr. Victor Cunha Rego dava às nossas televisões) têm-se prodigalizado em programas a elogiar o Dr. Costa, António, o que é meritório na medida em que revela amor à vida profissional  e acendrado sentido da família. Ontem, num desses curiosos programas, um brilhante moço da esquerda do PS afirmava que não há banco bom no caso Banif (o banco bom é o Novo Banco, no caso BES) porque o governo PS/Costa teve a coragem de enfrentar a Comissão de Bruxelas; antes de se habilitar ao Prémio Nobel da Latosa, acrescentou: tudo se teria resolvido em bem se em 2014 o PSD não tivesse metido dinheiro do contribuinte no Banif, ação que teria impedido o Estado de inserir o Banif na Caixa Geral de Depósitos (a popular CGD), os portugueses ficavam salvos e Bruxelas metida en su sitio. Num só post, duas histórias da carochinha socialista! O Banif na CGD era limpar a sala escondendo o cotão debaixo do tapete de Arraiolos coçado. O deputado da esquerda PS esquerdizava ao extremo a lógica PS de culpabilizar o PSD: na realidade, os prejuízos do Banif aumentariam os da CGD, para a boa disposição do ator PS de esquerda que se preocupa apenas com o orçamento do Estado, que ele tem que votar e onde a CGD entra pouco, mas não com a economia real na qual a CGD conta muito. O programa televisivo era uma contrafação d’ Os Malucos do Riso, estranhamente autorizada pela ASAE. A seguir, um representante do PCP defendeu a salvação dos nossos corpos pelo controle público da banca e deu como exemplo … o Banif onde, milagre! milagre!, o Estado tem a maioria sem ter nacionalizado. Aspirando a ser sempre justo, O Economista Português assinala que o dito cidadão PCP percebeu o autoparalogismo e sugeriu que tudo teria sido salvo no Banif se o dito Estado tivesse nomeado para o Banif homens bons – o que só lhe agrava o caso pois não explicou as bulas pelas quais o Estado mau nomearia para o Banif homens bons. Paz e bençãos, como dizia o outro. A seguir, a câmara focou um personagem d’ El Greco que se arvorava em representante da União Democrática Popular (UDP), perdão Bloco de Esquerda (BdE); declarou repetidamente que 1º) a solução adotada pelo governo Costa, António era a melhor solução possível sendo embora a pior; 2º) a solução adotada pelo governo Costa, António sendo embora a melhor era a pior possível. Mais paz e mais bençãos. Havia também um qualificado ator do PSD, estudioso de Voltaire, e incarnação de Pangloss que afirmava estar o Banif no melhor dos mundos possíveis – o que provocava a óbvia hilariedade dos restantes comparsas de mais este episódio d’ Os Malucos do Riso. Mais Raposeira bruto para a mesa do canto sff.

As instituições públicas portuguesas são uma farsa – ou mentem

CarlosCosta

Terá alguma vez acertado ? (não, não nos referimos à chave do carro mas às  supervisões bancárias)

O governo Passos Coelho afirma que meteu dinheiro no Banif na base de um parecer do Banco de Portugal (BdP) que lhe previa 10% de rendibilidade. É verdade? Se é verdade, ao fim de quantos anos e em que condições pingariam os lucros? Ou os responsáveis mentem ou a incompetência pública roça as raias do inverosímil. Ou será apenas que o Dr. Costa, António como qualquer primeiro ministro do atual regime, é incapaz de desobedecer a Bruxelas?
E o Dr Costa, Carlos? O Economista Português nunca deixou de ser justo para com ele e julga ter provado a sua obediência ao governo Coelho no triste caso BES, em nome da independência do BdP. Mas O Economista Português  observou que o Dr. Costa António ameaçou publicamente  o Dr. Costa Carlos com um julgamento popular, por certo no generoso propósito de habilitar Costa, Carlos com uma independência tão grande face ao novo governo como tinha tido em relação ao anterior. Parece tê-lo conseguido, diga-se em nome da equidade e da família. Porém, O Economista Português  reconhece a Costa, Carlos o benefício da dúvida e só o julgará com provas. Provas que Costa, António até ao momento considerou dispensáveis – ou pelo menos dispensou-se de no-las apresentar. Mas, como diziam os romanos, verba volant scripta manent; ou como se diz hoje: não mandes um imail, se não ficas prejudicado. Mesmo que Costa, Carlos tenha mudado de «opinião», os seus imails estão por esses computadores de Cristo. Esperemos pois pois pelos imails de Costa, Carlos quando era pelo menos  tão independente como hoje.

Somos governados como carneiros
CarneirosCurralImagem  que o governo português forma dos portugueses a apreciarem o caso Banif

A nossa governação económica é totalmente opaca. Costa, Coelho, o mesmo combate. O Economista Português propôs há dias uma solução para o Banif que evitava aumentar os impostos: vendê-lo a um privado e obter um aumento de capital na base da confiança assim adquirida. O Governo preferiu obedecer a Bruxelas e levar o Banif à falência; o Dr. Costa justificou esta opção dizendo que era a mais barata: mas não publicitou as contas – nem da sua opção nem das alternativas. Que auxílio estatal queriam os potenciais compradores do Banif? Era mais do que os 2,2 mil milhões (por certo sem os custos da litigância do Banif) menos os misericordiosos 150 milhões que o Santander pagou pelo bife?

O Estado português é governado pelos credores
MortáguaBanifMortágua: «Desde que me deixem gritar criminosos! no inquérito parlamentar ao Banif, ajudo-vos pagar aos criminoso com o dinheiro dos contribuintes»

O PCP e o Bloco de Esquerda ladram aos inimigos do governo mas prometem pagar-lhes a fatura. O PS obedece aos credores, exatamente como o Dr. Coelho. Isto é: nenhum partido defende os interesses do devedor Portugal. Até aqui, havia a esperança que a esquerda os defendesse. Até o PS na oposição (lembra-se, Engº João Cravinho?) admitia a reestruturação da nossa dívida. Essa esperança desapareceu. Curiosamente, os candidatos a Presidente calam-se; O Economista Português refere-se aos candidatos autênticos e não a candidatos a desistirem de ser candidatos: Marcelo, Maria de Belém, Nóvoa foram ver o jogo. Será que julgam o caso fora dos seus futuros poderes constitucionais? Terão renunciado ao direito de promulgação da lei do orçamento retificativo? Revogaram unilateralmente a Constituição? Estão a ver as modas? Pelo menos, até ao momento da redação do presente post, O Economista Português não se deu conta de nenhuma declaração deles na comunicação social virtual.  A unidade nacional dos portugueses contra os portugueses custar-nos-á caro

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