Marcelo Eleito graças aos Votos da Direita da Esquerda

 

Marcelo declarou-se da esquerda da direita e foi eleito graça aos votos da direita da esquerda. Uma análise sem matriz origem partidária/destino presidencial dos votos de ontem, sugere que mais de um terço do eleitorado PS das legislativas de 2015 votou em Marcelo à primeira volta. A direita da esquerda foi o eleitor marginal de Marcelo; sem ela, teria tido o alegre destino eleitoral de Coelho/Portas.

A vitória de Marcelo é a curto prazo excelente para a economia portuguesa, o que é sugerido pela notícia do Wall Street Journal Europe, acima parcialmente reproduzida, que o promove a «conservador».

Marcelo foi eleito pelo seu esforço pessoal, e não pelas máquinas partidárias ou pelos consultores políticos, mas nem por isso devemos esquecer a sua base eleitoral de apoio. Ela refletir-se-á no seu apoio futuro que será revelado pelas sondagens – o qual será indispensável à estabilidade política e portanto à estabilidade económica do nosso país. «Dai-me boa política, dar-vos-ei boas finanças», dizia o velho conde e ministro das Finanças da Restauração francesa.

A vitória de Marcelo resulta de três grandes fatores: a inexistência de um partido de direita, os grandes méritos pessoais do candidato e a futilidade das esquerdas.

A futilidade das esquerdas manifestou-se de dois modos, a seguir resumidos:

  • O secretário geral do PS voltou a preferir em Belém o candidato do PSD/CDS: já o Engº Sócrates preferira Cavaco a um candidato de esquerda; o Dr. António Costa repetiu o esquema, pelo processo simples de impedir que houvesse um candidato presidencial do PS e por maioria de razão das esquerdas; «Manuel Alegre, Maria de Belém, o mesmo sacrifício». No caso de Costa, esta ação fora augurada por quem via televisão domingo à noite: todos nos lembramos que foi Marcelo comentarista da TVI quem o precipitou na sua candidatura a secretário geral do PS e amparou o edil alfacinha na campanha eleitoral contra o Dr. Seguro;
  • As esquerdas, unidas à mesa do orçamento do Dr António Costa, preferiram nas presidenciais conservar os seus velhos ódios íntimos e recusaram unir-se em torno de um candidato com potencial para chegar a Belém; Maria de Belém Roseira era a única candidata que a priori (um grande a priori) teria condições para derrotar Marcelo. O seu destino estava selado a partir do momento em que Nóvoa ascendia nas sondagens: a direita da esquerda votou em Marcelo à primeira volta para evitar ter que recusar Nóvoa na segunda. Por isso, a subida de Nóvoa cavava o seu túmulo, sem que os seus entusiastas apoiantes disso se apercebessem – antes da noite eleitoral, claro. Marisa Matias  ilustrou ontem para a história aquela futilidade: não me enganei em nada, disse ela na sua conferência de imprensa a cantar vitória, respondendo a um jornalista que lhe perguntava onde se enganara, tendo em conta que só conseguira um dos dois objetivos autoproclamados da sua candidatura (derrotar Marcelo à primeira volta e ter um bom resultado próprio, ou um objetivo semelhante).

Conseguirá Marcelo fidelizar a direita da esquerda? É um eleitorado sofisticado, muito classe média licenciada, e causticado pelos malabarismos dos líderes partidários. Disso dependerá a estabilidade da política estatal portuguesa e da nossa economia. Se o leitor for crente, queira ir meditando na hipótese de se persignar.

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