Segunda Circular: a Câmara quer liquidar o aeroporto da Portela?

Pássaros  à voltam de um avião aumentam risco de acidente sobretudo quando o avião levanta voo

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) apresentou à discussão pública um plano para a «segunda circular». Todos os lisboetas sabem o problema daquela via de cintura: está permanentemente engarrafada. Todos os lisboetas sabem a solução do problema da segunda circular: a CRIL foi construída para a aliviar; para isso devia ser gratuita; um governo decidiu que ela aplicasse altas portagens; a CRIL  esvaziou e a  segunda circular engarrafou- Engarrafou ada vez mais .

Ignorando, ou fingindo ignorar, o problema e a solução, a CML  elaborou um plano que mantém os engarrafamentos e coloca uns arbustos entre as duas faixas daquela via.

O plano é de gargalhada. Como a intenção dos seus autores não foi por certo dar-nos vontade de rir, ele desafia-nos a pensar em segundas intenções camarárias. O leitor sabe que os tais arbustos abrigarão muitos ninhos de passarinhos, que pipilarão para alegrar os automobilistas engarrafados e sem rádio no carro. Por outro lado, o leitor não ignora que os passarinhos são um grande inimigo da segurança dos aeroportos. Há organizações ecologistas aterradas. O de Lisboa tem, ou teve, nos seus efetivos (custa dizer pessoal) condores ou falcões que os comem quando tentam entrar nos motores dos aviões. Com muitos passarinhos e alguns passarões, um avião talvez caia, liquidando (ou ameaçando liquidar) o aeroporto odiado pela Câmara. Com efeito, a edilidade (quase) sempre quis liquidar o aeroporto da Portela, uma das suas ideias para reduzir a riqueza pública e transferir riqueza privada.

O leitor lembra-se da indignação de Sir Humphrey, um licenciado de Oxford, quando o Parlamento se preparava para construir a primeira autoestrada de Londres até Cambridge, a cidade universitária rival? O Ministro, também licenciado de Oxford e utente regular das quatro autoestradas ligando a cidade à capital, não ficou menos revoltado. Sir Humphrey deu-lhe a solução para impedir a construção da via: descobriu um ninho de passarinhos de uma espécie em vias de extinção que seriam mortos por aquela obra. Esta tática do Yes Minister parece estar a ser ensaiada para encerrar o aeroporto da Portela. Ou será que a CML consegue demonstrar a sua incompetência que no caso consistiria em ignorar o perigo da passarada nos aeroportos?

10 responses to “Segunda Circular: a Câmara quer liquidar o aeroporto da Portela?

  1. A CRIL é gratuita.
    A CREL é paga.

    • O Economista Português agradece o contributo e informa que não teve tempo de verificar se errou. Se errou, não invoca aquela máxima de uma das comlheirais personagens de Eça de Queirós («a geografia não altera o princípio»), mas declara que o seu argumento é reformulável , substituindo CRIL por CREL

  2. Manuel Santos Silva

    Senhor Economista:
    Mesmo juntinho à Rotunda do Relógio, no canto entre a Av. Gago Coutinho e a Av. do Brasil, estendendo-se pelo morro até à Escola Secundária Padre António Vieira (Antigo Liceu Padre António Vieira), com uma área de 21 hectares, existe há alguns anos o Parque José Gomes Ferreira, também conhecido por Parque de Alvalade ou Mata de Alvalade.
    Que eu saiba, nunca caiu nenhum avião por esse facto, embora tenha muitíssimas mais árvores do que a parte terminal da 2.ª Circular junto ao Aeroporto poderia ter, não fosse o caso de a Câmara já ter anunciado que essa parte final não terá árvores.
    Isto apenas por precaução, não para evitar o voo das aves, mas sim o voo dos humanos contra todas as decisões dos diversos poderes públicos (no caso da CML), nas quais vêem sempre incompetência, não poucas vezes intenções pérfidas, como esta de querer deitar aviões abaixo.
    Cumprimentos.
    P. S. Declaração de interesses: não sou funcionário da CML nem autarca e nem sequer sou munícipe em Lisboa.
    ,

  3. O Economista Português agradece a literatura de viagens e os restantes comentários. .Responde: 1º) O Gabinete de prevenção e investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) já afirmou que no projeto da CML que pode haver “grave risco” para a aviação. 2º) Há árvores e árvores: o Partido da Terra declarou que o lódão-bastardo, a árvore proposta peo projeto, devida ser substituído pelo endro, um arbusto que envena quakquer espécie de passarinho. 3º) O o Aeroporto de Lisboa, como é dito no texto, tem as suas medidas mata-pássaros.

  4. Manuel Santos Silva

    Senhor Economista:
    O seu jocoso comentário só me dá razão.
    1.º – O projecto da CML está em discussão pública, pelo que poderá acomodar a sugestão do Partido da Terra.
    É para acolher sugestões e rever aspectos que se conclua serem manifestamente impraticáveis ou nocivos que há o período de discussão pública.
    2.º – Nunca me dei conta de nenhum aviso do GPIAA aquando da construção do Parque Florestal que referi, que não é composto por lódãos-bastardos e tem 21 hectares profusamente recheados de árvores.
    Concluindo: Na gestão participada da nossa vida pública costuma haver sempre ruído a mais e reflexão séria e produtiva a menos .
    Cada povo é como é, mas alguns procuram mudar a partir das experiências e outros parecem teimosamente querer ficar sempre na mesma.
    Atavismos, como diria o saudoso Solnado.
    Cumprimentos.
    Manuel Santos Silva

  5. Manuel Santos Silva

    Senhor Economista:
    Lamento que não tenha publicado o meu 2.º comentário.
    Que foi feito em moldes educados e formal e substancialmente correctos.
    Cumprimentos.
    Manuel Santos Silva

  6. A maioria dos aeroportos internacionais são rodeados de florestas.

  7. O Economista Português agradece o segundo comentário/resposta do leitor Sr. Manuel Santos Silva e publica-o. Agradece também a resposta em que aquele leitor-comentador reclama da demora na aceitação do seu segundo texto. O Economista Português publica também este segundo texto e atinente reclamação; publica-os sem resposta nem comentário, pois n’ O Economista Português, o (auto)convidado comentador desfruta sempre da última palavra. Neste capítulo e com este leitor-comentador, O Economista Português dá a conversa por acabada.