Corrupção: o Doente Português morrerá da Cura

Os lusitanos não sabem governar-se nem deixam que os governos, dizia um sábio da Grécia antiga (grafismo da SIC)

O Governo anterior lançou o esquema dos Vistos Gold: estrangeiro que investisse em Portugal, teria direito a um passaporte europeu. O Economista Português nunca aprovou a boçalidade do esquema, mas, dado que ele era usado por essa Europa de Cristo, suspendeu o combate que esboçara.

Para mais, o esquema teve êxito: os Vistos Gold animaram o mercado imobiliário exangue. Resultado? Foi então decidido combater a corrupção nos vistos Gold. Resultado ? Em 2015, o dinheiro estrangeiro investido na nossa economia ao abrigo das Autorizações de Residência para o Investimento (ARI), o nome burocrático dos vistos Gold,  desceu para 466 milhões euros, uma quebra de quase metade face aos 921 milhões de euros obtidos em 2014. Esta queda não é explicável por nenhuma quebra económica nas origens daqueles fluxos de investimento: é-nos imputável em exclusivo. Foram punidos os culpados da fraude? Não, foram punidos os inocentes portugueses que precisavam de vender imóveis: deixaram de ter compradores, pois o combate à «nossa» corrupção assustou os compradores ou impediu os nossos agentes no exteriores de descobrirem novos compradores. Alguém na arena partidária defendeu os infelizes proprietários? Claro que não.  Foi mais um dos assuntos, herdados do governo anterior, em que o Doutor Mário Centeno, ministro das Finanças, não teve tempo para pensar?

O Economista Português continua tão firme como sempre na necessidade do combate à corrupção, mas põe-lhe uma condição: que ele não implique o suicídio diferido da nossa economia. A corrupção é o mal – mas corremos o risco de morrer da cura.

2 responses to “Corrupção: o Doente Português morrerá da Cura

  1. Quando diz que “os Vistos Gold animaram o mercado imobiliário”, não é bem assim. Vejamos, os Vistos Gold beneficiaram apenas o segmento de luxo do mercado imobiliário.
    Os Vistos Gold foram concebidos para beneficiar apenas a parte infinitesimal da população que tinha imóveis de luxo para vender.

    • O Economista Português agradece o comentário do leitor que se assina Alfredo Costa. Se o leitor,que se assina Alfredo Costa, tiver um imóvel de luxo para vender, e se conseguir vendê-lo, os outros portugueses ficarão pior?