Orçamento 2016: Alguém defende a Classe média?

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Mal comece o debate orçamental o governo de esquerdas apresentará a família acima representada como um exemplo da classe alta e muito rica para efeitos fiscais

O orçamento de 2016 é uma luta pela redistribuição do rendimento nacional, por intermédio de argumentos técnicos e filosóficos. Todos os orçamentos são assim. O bom, velho Aristóteles já o ensinava no Liceu. O presente orçamento é apenas ornado pela guerra de movimentos e numerosos equívocos.

O PSD, por exemplo, acreditou que tinha ganho as eleições e depois acreditou que tanto o PCP como o Bloco de Esquerda queriam a revolução proletária – não percebendo que eles queriam sentar-se à mesa do orçamento. Não contente com estas extraordinárias crenças, o PSD acreditou que a Comissão de Bruxelas/Berlim odiava os novos cobradores de fraque vermelho e por isso pensou que ela ia ganhar as eleições legislativas por ele, vetando as «estimativas orçamentais» do Doutor Centeno. O PSD mascarou-se de comissário europeu e, tendo acabado por ver o seu último erro, procura agora colocar a caraça patriótica e governamentalista, embora crítico.
Por isso, a propósito do orçamento de 2016 importa também perguntar quem defende quem ou, dito de outro modo, como se posicionam as máquinas partidárias face aos interesses dos grandes estratos sociais.
. O PS e o PSD defendem os nossos credores
. O PCP e o Bloco de Esquerda defendem as suas clientelas tradicionais (beneficiários do salário mínimo, empregados dos monopólios estatais, empregados sindicalizados dos setores produtores de bens não transacionáveis, em particular dos transportes, funcionários públicos de vencimentos mais baixos, burocratas sindicais pagos pelo contribuinte, autarquias locais incompetentes) e as suas novas clientelas, que são os nossos credores
. O CDS/PP percebe-se mal o que defende.
 Alguém defenderá a classe média? É curioso o atual comportamento do PS: prefere satisfazer economicamente as clientelas dos seus aliados a cumprir as promessas que fez às suas próprias bases eleitorais.

2 responses to “Orçamento 2016: Alguém defende a Classe média?

  1. Na verdade, a nossa classe média é exígua. Não chega para alimentar eleitoralmente a nomenclatura partidária. Q.E.D……

  2. O Economista Português agradece o comentário de António Cerveira Pinto.