Nova Crise das Dívidas soberanas? A. Costa pinta-nos de rosa

a crise «atinge» a Alemanha diminuindo-lha a despesa com a sua dívida pública e atinge-nos a nós aumentando a

O Sr. Primeiro Ministro disse ontem aos jornalistas que a «agitação» no mercado da dívida soberana é «ao nível internacional», querendo assim significar que não era problemas particularmente português. É uma maneira rósea de colocar a questão: os juros da dívida no mercado secundário (yield) descem para o Reino Unido, a Alemanha ou os Estados Unidos e sobem para Portugal. Desde a suposta saída «limpa» do programa de assistência, o nosso yield a dez anos nunca esteve tão alto.O yield sobe quando diminui a confiança  na nossa economia, e os juros incorporam um crescente prémio de risco. O nosso país é o único singularizado no gráfico acima reproduzido, hoje publicado pelo Daily Telegraph, um diário londrino respeitado (e financeiramente alarmista).

O jornal escreve que o nosso país  é «particularmente vulnerável» aos pânicos sobre a dívida soberana pois tem um sistema bancário «sitiado» e é «dirigido por uma coligação de esquerdas que prometeu reverter as exigências de austeridade impostas por Bruxelas».

Parece por isso imprudente sugerir que seremos tão atingidos pela atual crise com por exemplo a Alemanha: a crise «atinge» a Alemanha diminuindo-lhe os impostos para pagar a sua dívida pública e atinge-nos a nós aumentando-nos os impostos para pagarmos a nossa dívida pública (o que aliás deixa indiferentes o Dr. Costa,A., o Doutor Centeno, M., as manas Mortáguas e o Sr. Jerónimo de Sousa). Importa outrossim assinalar que a política financeira seguida desde o resgate pelo PSD e pelo PS não tirou o nosso país da zona de perigo. E continua a exigir mais austeridade, agora mascarada de «restrições».

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