Portugal e a UE: precisamos da aplicação igual das regras ou de regras iguais para todos?

Doutor Augusto Santos Silva,  em momento de bricolage estratégic- europeu

Segundo o doutor Augusto Santos Silva, o atual chefe da diplomacia portuguesa, «a única coisa que países como Portugal precisam»  é que «as regras sejam aplicadas com clareza e de forma igual para todos os Estados-membros da União Europeia, qualquer que seja a zona geográfica a que pertencem, qualquer que seja a sua história recente, qualquer seja o seu Governo ou a composição do seu parlamento».

O Economista Português compreende que o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros queira criticar o Reino Unido sem criticar o Reino Unido, uma grande tradição da diplomacia que condenou o tráfego de escravos defendendo o tráfego de escravos, para evitar um indesejável Brexit, mas julga que ele foi na direção errada: além da igualdade na aplicação de regras, o nosso país precisa de regras que sejam iguais nos seus efeitos económicos sobre cada Estado-membro. Por exemplo: Portugal é um exportador de mão de obra barata e precisa de liberdade de circulação de assalariados na chamada União europeia (UE) mas esta não lha dá. A Alemanha é um país exportador de capitais baratos e a UE dá-lhe a liberdade de circular capitais. Não fantasiemos que as regras estruturais da UE são simétricas entre os países devedores e os países credores, entre os Estados-membros intensivos em capital e os intensivos em mão de obra. Isso é uma fantasia adequada para a Srª D. Catarina Martins nouvelle façon usar na sua novel propaganda da UE mas inadequada ao espírito informado e meditatiivo do Doutor Augusto Santos Silva.

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