Costa A ataca Costa C e perdoa a Bruxelas/Berlim discriminarem contra o BPI

em particular de Angola

A guerra dos Costas

O Sr. Primeiro Ministro, o Dr. Costa A. voltou ontem a atacar o Dr. Costa C., governador do Banco de Portugal (BdP) por este recusar uma solução para o problema do papel comercial do BES. No caso, o Dr. Costa A. tem toda a razão: o BdP começou por aceitar a responsabilidade por esse papel, depois mudou de opinião por razões inexplicáveis, e parece não perceber que essa atitude prejudica por um longo período a credibilidade da finança portuguesa (se ainda é lícito usar tal expressão).

Só que há um pequeno problema. Essa decisão do BdP tem barbas e o PS nunca a criticou a sério. Ora, hoje, o Dr. Costa A. está descredibilizado pelo orçamento do Doutor Centeno, por ter ele próprio cedido a Bruxelas e pela sua inação pessoal no caso Banif (a qual nos custará a todos uns 2% do PIB). Por isso, convém à tática partidária do Dr. Costa A. atacar o Dr. Costa C. e transformá-lo em bode expiatório das fraquezas do regime em geral e do seu governo em particular.

Em breve veremos se o Dr. Costa A. quer genuinamente melhorar o sistema financeiro a que ainda se pode chamar português ou se está a condicionar o inquérito ao Banif e a preparar uma linchagem coletica do Dr. Costa C., paralela à linchagem coletiva do Dr. Ricardo Salgado, organizada pelo Dr. Passos Coelho, com o amável protagonismo da Drª Mana Mortágua e a aquiescência do PS. O Economista Português duvida que o objetivo do Dr. Costa seja a regeneração dos despojos da finança portuguesa. Porque está em curso um teste: a Comissão de Bruxelas-Berlim eo Banco Central Europeu (BCE) decidiu atacar os bancos do sistema europeu que têm uma posição de capital em bancos de países africanos com problemas de pagamentos externos, em particular Angola. Quantos bancos há nessas circunstâncias? De alguma dimensão, há apenas o BPI. Estamos por isso perante um ataque discriminatório de Bruxelas-Berlim contra a nossa economia, contra a finança portuguesa e contra a nossa ligação à CPLP, que todos os partidos dizem apoiar. Alguém viu o governo português defender o BPI em Bruxelas ou em Berlim? Assobia para o lado, faz de conta – e ataca outros portugueses. Não foi ele quem começou, nem é o único. Talvez até devessemos dizer que é já uma tradição dos regedores do subprotetorado: louvaminharem o imperador, desprezarem os súbditos e insultarem os rivais. Em momentos de maior elevação espiritual espiritual, chamam a isso «o consenso».

Advertisements

Os comentários estão fechados.