Estamos à Beira de novo Resgate?

João César das Neves disse sexta feira passada, nas jornadas parlamentares do PSD: «está-se à beira de um novo resgate em Portugal, e certamente uma crise muito mais vasta do que isso». Precisou: «estamos por meses de ver aí uma coisa mesmo séria».

João Salgueiro afirmou na mesma ocasião que um novo resgate «pode ser inevitável», mas não o datou nem o certificou.

A acreditarmos nos relatos da imprensa, os dois ilustres economistas não podem ter ambos razão sobre este assunto. Sem pretender arbitrar, até porque o futuro a Deus pertence, O Economista Português tem por improvável uma crise próxima por motivos endógenos: estamos submetidos à tutela financeira da Comissão Europeia e do Eurogrupo os quais já anunciaram que por ocasião das estatísticas da primavera nos mandarão votar outro orçamento, se isso lhes parecer conveniente. Não se trata de otimismo: as política atuais condenam-nos à divergência real e ao empobrecimento, por enquanto em termos absolutos e, assentes num câmbio inadequado para nós, matam a nossa economia todos os dias um pouco. Dentro em breve, não haverá remissão. Por isso, O Economista Português lamenta não partilhar a tese otimista do Doutor César das Neves – tese otimista pois, após após uma penitência duríssima, dar-nos-ia a Terra Prometida.

Digamos que a economia e a finança portuguesas vão à arreata curta, como é próprio do semiprotetorado, e têm por isso pouca margem de manobra para o mal (económico-financeiro). Os nossos credores velarão por que continuemos em condições de lhes pagarmos os seus juros e amortizações. O risco económico está no político: se as expetativas de redistribuição de rendimento inexistente subirem a grau ingerível, haverá um conflito com Bruxelas-Berlim e as suas consequências serão imprevisíveis.

Se formos atingidos por uma crise financeira mundial, a qual já pareceu mais improvável, ela será péssima para nós e, tal como o terramoto de 1755, benéfica para o Marquês de Pombal em funções quando ela ocorrer.

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