«Mecanismo de Insolvência Soberana»: Merkel propõe-se impedir-nos o Acesso ao Mercado financeiro >>> O Governo das Esquerdas, o PSD e o CDS/PP apoiam-na?

O nosso país é o mais atingido pela nova proposta alemã. Fonte – German Council of Economic Advisers

A Alemanha pretende que a dívida pública dos países da União Europeia (UE) deixe de ser considerada «inteiramente segura e líquida», para efeitos de cobertura do risco bancário, o que implica aumentar as reservas bancárias para cobrirem esse novo risco. O nome deste estranho animal é de momento «mecanismo de insolvência soberana». É o fim do sonho da solidariedade financeira europeia, com que a nossa classe política nos tem embalado. Portugal é o país mais prejudicado, em termos relativos. Há dias, Mario Draghi, governador do Banco Central Europeu (BCE) pareceu aprovar o plano: «não temos que nos pronunciar sobre ele», disse, mas acrescentou: «terá que ser muito faseado». Peter Bofinger, do Conselho Alemão de Peritos Económicos (German Council of Economic Advisers), sugere que a Itália, um país também muito atingido, peça o regresso à lira: é «a única maneira de evitar a bancarrota», diz. A mesma recomendação aplica-se ao nosso país.

Este plano imporá «haircuts», isto é, cortes nos créditos de dívida pública dos Estados-membros da UE. O plano destina-se a evitar a mutualização da dívida púbkica da UE. Em caso de crise financeira portuguesa, antes de o Mecanismo Europeu de Estabilidade nos ajudar, os detentores da nossa dívida pública teriam que perder muito dinheiro connosco e que nos financiar mais. Serão os mercados a decidirem se um Estado está falido, marginalizando mais os Estados.

Estas regras declararão Portugal em bancarrota e vedar-nos-ão o acesso aos mercados financeiros internacionais. Se forem aprovadas, O Economista Português recomendará por certo que o nosso país saia imediatamente do Euro.

Peter Bofinger, como a maioria dos economistas financeiros, considera que a Eurozona não subsistirá sem uma certa medida de mutualização da dívida pública, mas reconhece que os credores a  recusam.  O Conselho Alemão de Peritos Económicos julga que o novo plano rebentará com o Euro e por isso parece que o rejeitará, preferindo apenas reforçar as medidas financeiras restritivas ultimamente aprovadas para a Eurozona. Algum ou alguns elementos do Conselho organizaram a fuga de informação desta consulta do Estado alemão, sobre a qual têm que dar parecer. O beneficiário da fuga, e fonte do presente post, é citado no final.

O objetivo teórico do plano é impedir os governos de financiarem a sua dívida junto dos bancos nacionais que depois a reciclarão com empréstimos do Banco Central Europeu (BCE). Trata-se de pura fantasia, de alguém que quer copiar os Estados Unidos e ignora como eles funcionam. Na realidade, o plano visa acabar com o mito da solidariedade europeia em nome do mito mais vigoroso das finanças sãs. e reforçar a subordinação dos países devedores  (os países mais pobres do sul da Europa) aos países credores, mais ricos e poderosos (os do norte da Europa).

Bofinger considera que este plano da Chancelarina Merkel talvez comece em breve a ser autorrealizar-se, gerando uma crise de confiança. Agentes do mercado financeiro consideram que o nosso país está à beira de deixar de conseguir aceder-lhe. Portugal, Itália e Espanha «correm o risco de serem atingidos por uma séria crise de confiança», afirma o Professor Bofinger.

Segundo aquele Conselho, o plano começa com uma nova «ponderação do risco» com o objetivo confessado de obrigar os bancos a venderem 604 mil milhões de euros de dívida pública. Teriam que levantar mas €35 mil milhões de capital fresco. Este «bail-in» é paralelo ao que é imposto aos bancos quando um deles vai à falência, pelo novo fundo de resolução.

O Sr. Primeiro Ministro, no debate do Orçamento, referiu a reestruturação da nossa dívida por acordo com os credores. Ninguém valorizou financeiramente a fórmula, que passou por um simples  puxão de orelhas ao financeiro Centeno,  mas ela não parece ingénua. O Dr. António Costa parece estar ao corrente do plano da Srª Merkel, não terá dito nada aos seus cocidadãos e prepara-se para o aprovar, se é que não o aprovou já?  O novo plano da Srª Merkel é com efeito apresentável como uma reestruturação da dívida alcançada por acordo com os nossos credores – e à custa dos portugueses, a exemplo de tantas outras maravilhas recentes do federalismo europeu, adoradas acriticamente pela nossa classe política, como o fundo de resolução bancária. O Economista Português gostaria também de conhecer a opinião sobre o assunto dos outros partidos políticos da situação: o PSD, o CDS/PP – além dos que apoiam o governo, o PS, do PCP e do Bloco de Esquerda.

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A principal fonte do presente post é:

http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/12158626/German-bail-in-plan-for-government-bonds-risks-blowing-up-the-euro.html

 

A página do Conselho Alemão de Peritos Económicos ainda não publica o relatório que originou a fuga de informação abrigada pelo Daily Telegraph:

http://www.sachverstaendigenrat-wirtschaft.de/index.html?&L=1

 

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