Argentina: a Bancarrota não compensou

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Fonte: Banco de dados do Banco Mundial. Base 100 = 2001

O juiz Thomas Griesa de Nova Iorque lavrou há dias uma sentença que permite à Argentina regressar ao mercado financeiro internacional, se tudo correr como previsto. A sentença foi influenciada pela recente eleição do Presidente Mauricio Macri que interrompe o ciclo peronista populista e quer que a Argentina regresso ao mercado internacional.

É a altura de avaliar os efeitos da barroca argentina, iniciada em 2000 e reiniciada em 2014. Para tanto, recorremos a um único indicador: a variação do PIB por habitante em dólares. Passada uma queda inicial do PIB da ordem dos 10%, o crescimento retomou e, desde então até hoje, somou 50%. Os dados estão no gráfico acima. Não foi a catástrofe tantas vezes associada à palavra bancarrota.

A bancarrota afetou o crescimento do PIB por habitante argentino? Comparámo-lo com o vizinho brasileiro, que não foi atingidopor nenhuma bancarrota neste período- Ambas as economias são comparáveis (emergentes, exportadoras de matérias primas e produtos naturais. O  crescimento no Brasil foi mais rápido: neste 15 anos, o PIB por habitante cresceu três vezes e meia, ao passo que na Argentina o aumento foi sete vezes menor (foi de 50%, como vimos). Nesta análise muito simples, a bancarrota afetou negativamente o PIB por habitante argentino.

A bancarrota não é o único fator a afetar o crescimento do PIB num período de quinze anos. A política monetária subsequente é importante. Assim como a política orçamental. O Brasil seguiu uma política de estímulo às exportações e a Argentina procurou dinamizar o mercado interno, menos dinâmico, penalizando as vendas ao exterior. Se a política económica argentina tivesse sido menos virada para o mercado interno e a redistribuição de rendimento, talvez tivesse obtido um resultado melhor.  Mas a bancarrota dá um sinal forte e duradouro pois condiciona a disponibilidade do crédito e o seu custo (prémio de risco do pais, que repercute nas suas empresas). Hoje os credores já não mandam canhoneiras cobrar os juros mas os mercados continuam a castigar os maus pagadores. Hoje, os argentinos querem regressar ao mercado financeiro mundial.

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