O Economista Português apoia o reforço da Dependência dos Deputados e Denuncia por Miúdos os altos Custos das Exigências Morais da Doutora Assunção Cristas

 

Cristas para Albuquerque: Se não tivéssemos sido colegas, talvez te julgasse (a  ilustração foi maquilhada pelos serviços competentes d’ O Economista Português, os quais já foram despedidos por incompetência)

«A Drª Maria Luís Albuquerque devia ser condenada por ter aceite o seu novo emprego na Arrow?» A Doutora Assunção Cristas foi confrontada com estas perguntas, como professora de Direito (à antiga), respondeu com teoria geral:prefere evitar juízos sobre colegas (de ex-governo) e pergunta se os portugueses querem que os ministros deixem de trabalhar ou continuem a lutar pela vida (como a Drª Albuquerque luta ou parece lutar, suporá o leitor mais ou menos atento).

O Economista Português prefere não se pronunciar sobre se devemos tomar posição  acerca da moralidade de colegas nossos, ou mesmo de ex-colegas nossos. Porém, azougado, atreve-se a lembrar o aforismo romano: «amicus Plato sed magis amica veritas». Traduzindo à letra: sou amigo de Platão, mas a verdade é mais amiga. Traduzindo por miúdos: entre a Drª Albuquerque e a verdade, escolho a verdade.

Graças a Deus o leitor não está num blog de tradução e por isso passamos ao ponto. Os políticos devem ganhar a sua vida honrada e profissionalmente? A frase da Doutora Assunção Cristas pressupõe que é melhor os políticos trabalharem do que viverem em exclusivo dos rendimentos deputacionais. A futura dirigente do CDS não explicou o porquê da sua asserção. O Economista Português adivinha: é normal trabalhar (por isso nem o subsídio de desemprego é perpétuo); um emprego ou outros rendimentos pessoais asseguram a independência e, como diria Horácio, o poeta romano, a  aurea mediocritas (uma vida decente). O remédio da Doutora Cristas será adequado à nossa doença sócio económica, de que patentemente sofre, ou sofria, a Drª Albuquerque? O Economista Português suspeita que neste último e doloroso caso a automedicação tenha sido coroada de êxito. Segundo o ótimo de Pareto, basta haver um português a sofrer menos para todos nós portugueses estarmos melhor e por isso a ascensão económica da Drª Albuquerque, a confirmar-se, será uma melhoria para todos nós. O nosso bem haja.Será aliás o primeiro ótimo de Pareto que a Drª Albuquerque averba no seu CV.  O nosso parabém.

Examinemos o paciente. Como é do domínio público, os deputados portugueses têm que pertencer a partidos políticos ou depender deles  (os enviados a São Bento têm que  integrar listas as quais têm que ser apresentadas por partidos políticos). Se os partidos políticos forem democráticos e respeitadores dos direitos humanos, será bom que os seus sócios sejam independentes. Isto é: será bom que os seus sócios trabalhem ou tenham qualquer coisinha de seu. Porém, sabemos desde Moisés Ostrogorski (1854-1921) que os partidos políticos são oligarquias de poder cujos membros obedecem aos dirigentes, os quais se perpetuam no palácio sem a menor dependência do sufrágio dos sócios, para não falar já do sufrágio do cidadão eleitor que tem o papel do folião do corso (aprova ou reprova os carros carnavalescos). Nos partidos políticos portugueses o CDS é ou foi por certo dos que menos se conformam com esta padrão, o que aliás contribuirá para explicar a pureza e frescura da proposta da Doutora Assunção Cristas (e, quem sabe, o facto de ter sempre menos votos do que o PSD ou o PS). Max Weber (1864-1920) explicou que os políticos são profissionais, pagos por empresas chamadas partidos políticos (no caso português, trata-se de empresas públicas). Os deputados obedecem às suas direções porque são pagos por elas e delas dependem para boa parte do seu ganha-pão. Se deixarem de receber delas, o mais certo é que naquelas cabecinhas medrem ideias indisciplinadas (como se viu no passado: o leitor lembra-se da FSP? da UEDS? da ASDI?). Sem receberem o seu vencimento dos partidos políticos, os senhores deputados até talvez pensem uma vez antes de votarem o aumento dos impostos: hoje, quando aumentam os impostos, aumentam o rendimento deles, e, se os não aumentam, cortam na própria ração. Aliás, se o sistema que felizmente nos rege tem algum problema, é haver sinais na imprensa   people que alguns deputados pensam terem sido escolhidos pelos eleitores (o que é um erro legítimo pois, em plena puberdade, autorizaram-nos a estudar devotamente  a Revolução Francesa e por via dessa devoção recusam obstinadamente reconhecer os méritos infindos da entidade patronal (pois dão crédito secreto à propaganda da CGTP contra os patrões, aos quais aliás justamente assimilam as direções partidárias).

Blade Runner: o contrário do deputado português

Se os empregados dos nossos partidos políticos obedecem aos seus dirigentes, e são por eles escolhidos, qual a vantagem de serem independentes? No nosso sistema, nenhuma: sai mais caro e o resultado é o mesmo do atual. É que os deputados são um conjunto de robots   ocasionalmente autorizados a recuperarem a sua alma humana. Os nossos deputados são por isso o contrário do Blade Runner: este era robot e por mérito próprio ganhou alma, os nossos deputados tenham alma humana à part entière e tornaram-se … deputados. Para o nosso sistema funcionar melhor, deveriam ser menos independentes, passe o paradoxo, dado que já não são independentes.

O leitor reparou que um deputado ser independente tem o seu preço, que é um custo, os pobres elementos partidários terão que o suportar, para satisfazerem os altos padrões morais da Doutora Cristas. Se obedecem, são dependentes. Alguém supõe , por exemplo, que na próxima votação do orçamento, os deputados do PS, do PCP ou do Bloco de Esquerda votarão segundo a consciência deles? Se essa hipótese se colocasse, a chancelarina Merkel de giolhos, à Gil Vicente, ameaçar com raios, coriscos e prebendas várias o  Genossen  Jerónimo, para que aplicasse a disciplina proletária, também conhecida por «centralismo democrático», a fim de que os seus deputados/empregados/proletários  nos mandassem pagar aos nossos credores. Os nossos deputados votarão o orçamento como robots, obedecendo sem hesitar aos seus dirigentes-patrões (os nossos deputados não estão sindicalizados, nem na CGTP nem na UGT). Se os nossos dirigentes partidários fossem independentes, escolheriam sócios independentes para os partidos.  O sistema, que a doutora Cristas parece almejar, sejam quais forem os seus métodos, é porém irracional. Não caminhamos para lá.  Estatísticas recentes dizem que menos de um terço dos deputados da legislatura em funções dispõem de um rendimento fora do que lhes é assegurado pelos seus patrões partidários (e pago pelo leitor e demais contribuintes). Um terço, que máximo!!!  Dois terços, coisa de nada, são tão independentes dos patrões partidários como os empregados das plantação de borracha do oligarca descrito por Ferreira de Castro, em A Selva, por Blaise Cendrars em Forêt Vierge. Compreende-se. Por que bulas deveriam os donos dos partidos gastar recursos com a independência dos empregados/deputados quando os têm dependentes e mais baratos? Como o leitor reparou, os nossos dirigentes partidários apenas dão aos deputados o luxo da consciência quando eles, dirigentes, não sabem como se desembaraçar de um problema político que consideram mais complicado, seja ele a regionalização, o aborto ou a futura «mise à mort» dos eleitores sofredores, de preferência velhinhos. Bastaria em matéria de independência deputativa, ou deputacional (a Comissão de Léxico Português patriótico, antibrasileiro e propalópico ajude O Economista Português neste termo tão difícil), que os dirigentes partidários fossem independentes, como uma categoria que há ou houve entre os sócios do Sporting (uma cabeça endinheirada ou coroada, cem votos; outra cabeça nua, meio voto). Não seriam porém lícitas trocas entre dirigentes e dependentes: um dependente não seria nunca eleito dirigente contra a vontade dos restantes dirigentes e só seria promovido por morte de algum dos dirigentes (longe vá o agoiro). A ser assim, saía mais em conta e muito melhor.

Subscreve-se, a bem da Nação e da diminuição das taxas de IRS, de IVA, de gasóleo, de gasolina e de automóveis  novos em geral, de tabaco, de consultas médicas no SNS, e de aguardente branca (em particular a minhota), com a ajuda espiritual quem sabe se bem compreendida de Gil Vicente, Jonathan Swift e de William Thackeray,

O Economista Português.

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