Merkel derrotada: Terra à Vista?

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Com duas mãos — o Acto e o Destino —
Desvendámos. No mesmo gesto, ao céu
Uma ergue o fecho trémulo e divino
E a outra afasta o véu.

Fernando Pessoa

A Sr Merkel foi derrotada nas eleições nos estados federados (laender) da Renânia-Palatinado, do Bade-Würtenberg e da Saxónia-Anhalt. A AfD, o partido eurocético que quer acabar com o Euro, entrou em todos os parlamentos estaduais. A derrota terá consequências: não só perdeu a CDU, o partido da Srª Merkel, como perdeu o SPD,  que no leste germânico parece estar em vias de marginalização. A derrota terá consequências. A curto prazo, a Chancelarina obrigar-nos-á a pagar mais e talvez mesmo a estabelecer campos de concentração, com o aplauso entusiástico da nossa classe política, mas, a médio prazo, está condenada e por isso há alguma esperança que ainda seja possível evitar a  destruição de Portugal como país com cerca de dez milhões de habitantes, todos empregados de hotel ou de hospital.

O Economista Português relanceou a imprensa sobre o acontecimento. O Diário de Notícias publicou uma caricatura elogiando a chancelarina: comparava-a a Cristo, e o seu Gólgota era a política de imigração que lhe causou a derrota (veja acima).  Talvez por sublinhar a derrota, a notícia desapareceu rapidamente ou migrou para lugar de baixa visibilidade.  A Srª Merkel é o chefe político dos nossos credores e quem apoia os credores não reconhece que ela foi derrotada. É o caso de Le Figaro, o bem informado matutino parisiense.

O jornal parisino dos nossos credores não consegue não demonizar os adversários políticos da Srª Merkel: «extrema direita». Para ele, antes Merkel que Hollande (e Le Pen). Sem a Srª Merkel, os nossos credores perderão o seu líder. La Stampa, um excelente diário de Turim, não se entusiasme com a derrota da Chancelarina e remete-a para o fim das notícias do dia (ficou mais impressionado com o atentado na Costa do Marfim, provocado pela delirante política de imigração acalentada pela Srª Merkel anos e anos).

Não há porém dúvida que Merkel perdeu. La Stampa, de Turim, reconhece a derrota, embora prefira destacar o atentado na Costa do Marfim.

A propósito: a senhora de cabelo escuro, na foto acima, é a dirigente do Afd, Frauke Petri. O jornal italiano mostra-a feia, malcriada e assustadora. O leitor compreende porquê: é populista, o equivalente no atual politicamente correto  do fascista/comunista de outras eras..

La Stampa fala em derrota, e redu-la, aliás com exatidão, às eleições que designa por regionais. O Financial Times, a o suplemento quotidiano da bíblia dos financeiros de esquerda, toca a mesma tecla.

O jornal de papel cor de rosa, porém, colocou a pequena notícia ao alto da sua página na Web, o que sugere a gravidade da situação. Mas o FT tem criticado muito a chancelarina, por a considerar um dinossauro em termos de política monetária.

Quem nos esclarece sobre o futuro da antiga dirigente da Alemanha comunista  é o FAZ, Frankfurter Allgemeine Zeitung, o diário conservador e defensor da chancelarina: Merkel perdeu na Alemanha do Oeste. Isto é: perdeu mesmo. Além de dividir a Europa entre teutões e eslavos, dividiu o seu próprio país entre  ossies e wessies. Dividiu, isto é, deitou sal na ferida. O caso da senhora é sério.  Talvez os países europeus consigam voltar a pensar os problemas a sério e com conhecimento de causa, sem supor que os resolve com golpes marxistas-leninistas. Foi assim que a Srª Merkel, chefe da suprema da propaganda da Alemanha comunista no fim dela, destruiu essa pobre imitação de um país.

 

 

 

 

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