Plano B de Costa, A: o «Se», o «Quando», o «Wenn», a Incompetência da nossa Classe política e a Gargalhada germânica

Dijsselbloem a pensar em Centeno: «’Tás para aí a fazer propaganda de uma pasta prós dentes e não sabes traduzir wenn em português, logo choras se (wenn) for de chorares»

O leitor está ao corrente da querela do se e do quando: o governo Costa, A. nº 1 comprometeu-se a novas medidas de austeridade (é o quando) ou, para as aplicar, está dependente de uma apreciação livre (é o se).

À volta deste tema semântico, nós portugueses gastámos quilos e quilos de papel e de doutos comentários nas televisões de Estado e candidatas a televisões de Estado. As esquerdas orçamentalistas queriam o se e as direitas futuramente orçamentalistas o quando. Ambas porém ignoram que em alemão, e nas língua germânicas em geral, se e quando são vertidos na mesma palavra: wenn. Para os pobres germânicos, o futuro é sempre incerto e por isso  se e quando são iguais nessas línguas ignotas. É um ponto de divergência crucial com o latim, para o qual o tempo futuro não era um condicional, era a certeza do presente do indicativo projetada com igual força no futuro.

Para os  locutores de fala germânica, o quando é sempre se (e o se sempre quando, pobre gente), a concretização é que depende das condições, sempre explicitadas.  Queira o leitor (re)ler a esta luz o seguinte trecho publicado no Diário de NotÍcias faz hoje oito dias: «questionado no final de uma reunião do Eurogrupo sobre o facto de a declaração indicar que o Governo português está a preparar medidas para serem implementadas ‘quando necessário’, para garantir que o Orçamento do Estado para 2016 (OE2016) cumprirá o Pacto de Estabilidade e Crescimento, e não ‘se necessário’, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem disse em tom irónico que iria refletir na diferença entre os termos e desafiou Moscovici a abordar o assunto, o que o comissário fez de forma taxativa». Dijsselbloem é holandês, falante da mais doce e musical das línguas germânicas, e por isso pensa em wenn.

O leitor reparou no «em tom irónico»? É que para ele, wenn é wenn: é idêntico Portugal aplicar o plano B se as condições o obrigarem, ou quando as condições o obrigarem. O sr presidente do Eurogrupo sabe traduzir wenn para inglês ou para as línguas neolatinas. E ri-se de nós, compatriotas do Doutor Centeno, esse génio da aritmética elementar. Melhor: ri-se de nós devido à incompetência dos nossos políticos. Dijsselbloem termina a parábola  com um supremo  desafio a Moscovici: leu as declarações do Mosco, meio trapalhonas, e suspeita que o dito Mosco não domina o wenn teutónico.  Este supremo desafio do Dr. Flormargarida (os técnicos linguistas d’ O Economista Português traduziram à letra o nome do presidente do Eurogrupo) não é consolador para o nosso governo, nem para nós, na medida em que, queiramo-lo ou não, somos representados pelo nosso governo: o holandês queria saber se o francês  e comissário bruxelino Moscovici era tão ignorante como os elementos do governo Costa, A. A classe política portuguesa atual  tornou-se a unidade de medida da ignorância na União Europeia, uma espécie de metro padrão do desmazelo, da preguiça e da incapacidade para governar.

Oliveira da Figueira

Sempre otimista, O Economista Português esqueceu a interpretação mais provável que para lá dos Pirinéus será feita da ignorância linguística da nossa classe política e dos seus compinchas dos mass media: sabem, fingem que não sabem, para tentarem ludibriar o próximo. São (somos, na opinião deles) Oliveiras da Figueira.

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