Previsões de Crescimento do nosso PIB: o Criminoso volta sempre ao Local do Crime

Fonte: Jornal de Negócios 14 de março de 2016

O criminoso volta sempre ao local do crime é uma das regras do romance policial dedutivo, à Agatha Christie. A máxima aplica-se em cheio aos nossos ministros das Finanças : todos eles apresentam previsões tão otimistas do crescimento do PIB que falham sempre – e sempre à nossa custa. O gráfico acima mostra o atual governo persiste neste caminho de embuste. O grande especialista neste embuste foi o Prof. Doutor Fernando Teixeira dos Santos, o homem que puxou o tapete a quem o fizera ministro das Finanças, o licenciado em engenharia José Sócrates.

O ludibrio começou no tempo em que os nossos credores nos incentivavam a pedirmos emprestado à tripa forra e por isso a imaginação do Prof. Doutor Fernando Teixeira dos Santos tinha o céu por limite. O que não cresceu o nosso PIB, sempre imaginariamente, claro! Quando os nossos credores, por vontade de aumentarem o seu voluiume de negócio bancário, eram cúmplices no embuste, ele corria sobre rodas: a economia portuguesa arruinavam-se mas os portugueses trocavam o 1400 cc velho por um 1700 novo. O pior foi quando os nossos credores se arrecearam da nossa ingovernabilidade. Os sucessores do Prof. Doutor Fernando Teixeira dos Santos voam mais baixinho pois os credores colocaram-lhes a arreata mais curta: é que receiam que a classe política invente uma estrangeirinha para não lhes pagar. Os nossos credores já nos tratam no Financial Times  de  «a Venezuela da Europa», devido ao confisco do BES, operado pelo Banco de Portugal (BdP), com a conivência de toda a classe política portuguesa.

O embuste da previsão deliberadamente errada da taxa de crescimento do PIB serve apenas para nos permitir pedirmos mais dinheiro emprestado – dinheiro que teremos que pagar. Serve para nos enganar e auxiliar os nossos credores. É um embuste que mostra a incompetência da nossa classe política: obriga-nos a pagarmos mais e mais caro; adicionalmente, descredibiliza-nos financeiramente. Ainda anteontem, o Morgan Stanley, um banco influente no mercado financeiro, que integra o «comité de determinações» da associação internacional dos vendedores de swaps, a ISDA, baixou a sua previsão para 1,%. Racional seria  adotarmos a previsão  mais pessimista, ajustarmos as contas em conformidade e, se a previsão se revelasse errada por excesso de pessimismo, usarmos o excedente para apoiar o investimento produtivo. Mesmo depois do puxão de orelhas da Comissão de Bruxelas-Berlim, como o gráfico evidencia, o OE16 é escrito na base da previsão mais otimisma do crescimento do PIB. O Morgan Stanley é ainda pior para nós:afirma que os países do resgate se dividem agora em dois grupos, um com a Irlanda e a Espanha, o outro com a Grécia e Portugal. O contrário do que nossa classe política e os mass media domesticados nos dizem.

A desfaçatez no recurso a este embuste atingiu o máximo com o aprendiz de feiticeiro Centeno na preparação do orçamento para o corrente ano: começou por prever o crescimento de 2,1%, calculado de acordo com as suas necessidades para distribuir bombons às clientelas das esquerdas orçamentais, e baixou-o sem pudor nem pretexto para 1,8%, obedecendo sem hesitação nem razão aos Diktate da Comissão Europeia. E depois surpreendeu-se muito por Bruxelas exigir um Plano B no valor aproximado dos 0,3 pontos percentuais do PIB que ele foi forçado a  engolir com a rapidez e a destreza dos comedores de chamas no circo.

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