Nós e a UE: Quem é a Vítima do Bullying?

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A Espanha produz dez vezes mais carne de porco do que nós (Fontes: as mesmas do gráfico de segunda feira, queira rolar)

A União Europeia (UE) tem relações decentes com Estados-membros pequenos e fracos  como nós? O caso da produção de carne de porco é elucidativa. A carne de porco portuguesa é melhor e, para qualidade igual, mais barata, mas não consegue ser vendida.  Somos pequenos: os espanhóis são cerca de quatro vezes mais numerosos do que nós, mas os porcos espanhóis são mais de dez vezes mais numerosos do que os nossos. As desproporções são tão grandes que os nossos governos nem têm coragem para nos defender. O porco espanhol não nos vence por preencher os requisitos da doutrina liberal e ser mais barato do que o nosso: vence-nos porque a Espanha é mais poderosa, ocupa o mercado e vicia-o A UE é um mercado único que promove o dumping. O nosso país é vítima de bullying comercial da UE. Enquanto a Organização Mundial do Comércio tem um tribunal de concorrência, simples e barato,a  UE não dá proteção jurídica eficaz aos mais fracos.

Volta, Grandela

O caso dos imigrantes para a UE (digamos assim) será em breve mais uma manifestação do bullying de que somos vítimas. Há dias, um jornal português titulava: «Europeus satisfeitos connosco sobre a imigração». O pobre não se dava conta que confessava sermos pressionados, sugeria que trabalhamos para «inglês ver» e indiciava esperteza saloia que os nossos turores tomam como indício de novo embuste. Em breve sofreremos novo bullying – que, como de costume, a classe política nos apresentará como mais um triunfo histórico de Portugal na UE. Entretanto, de triunfo europeu  em triunfo europeu, acabamos de perder os juros negativos na nova dívida pública.

2 responses to “Nós e a UE: Quem é a Vítima do Bullying?

  1. Lino Fernandes

    Se o nosso produto é claramente melhor o que nos impede de criar um canal diferenciado que permita vender mais caro?​

    2016-03-17 6:32 GMT+00:00 “O Economista Português” :

    > Luís Salgado de Matos posted: ” A Espanha produz dez vezes mais carne de > porco do que nós (Fontes: as mesmas do gráfico de segunda feira, queira > rolar) A União Europeia (UE) tem relações decentes com Estados-membros > pequenos e fracos como nós? O caso da produção de carne de porco é e” >

  2. O Economista Português agradece o comentário do Dr. Lino Fernandes. O assunto devia ser aprofundado. Mas sabemos que os hipermercados e os supermercados têm uma politica ativa de valorização do seu espaço: ou o vendem ou exigem margens maiores A carne de porco é um dos mais populares chamarizes que os hipers usam para atrair a clientela, o que, só por si, impede que surjam marcas de carne de porco vendendo mais caro, na base da qualidade. Surgem marcas novas de queijo artesanal (bem mais caros do que o queijo francês) porque os hipers não usam o queijo de cabra ou de ovelha nas suas promoções televisivas. Por outro lado, o Estado tem medo que os nossos credores o acusem de ser protecionista e, mesmo sem esse pânico, é cego no relativo à importância da comercialização, em particular no nosso mercado interno, e por isso não ajuda as empresas portuguesas a conquistarem posições comerciais. Ora quem tem força para atacar os hipers? Os políticos venderam-lhes os PDM, a imprensa e a televisão precisam da publicidade farta que eles lhes dão. É um círculo vicioso da pobreza. A Doutora Assunção Cristas introduziu um imposto, que O Economista Português combateu por se repercutir no consumidor, mas que obrigou os hipers a alguma negociação coletiva com produtores agrícolas. Sem um comunicação social independente e competente, que defenda os interesses portugueses, os hipers mandam – e são obrigados a mandar pela concorrência oligopolista feroz que movem uns aos outros. A não aplicação da lei da rotulagem é tão escandalosa que custa atribuí-la à pura inépcia administrativa. Sem uma boa lei de rotulagem, e uma lei bem aplicada, a produção alimentar portuguesa está condenada. Curiosamente, as associações de consumidores desinteressam-se deste tema, que devia ser-lhes caro. Por fim, o movimento associativo empresarial é débil e sem visão estratégica, pelo menos neste terreno. Ora sem um associativismo empresarial forte, as empresas fracas nunca se tornarão fortes.