O PNR, o Governo e a Metodologia das Reformas democráticas

No final da semana passada, sob o impulso gentil do Fundo Monetário Internacional, que ameaçou cortar-nos os víveres se não reformássemos mais, o Governo anunciou um Plano Nacional de Reformas: solicitou a todos os cidadãos que apresentassem reformas e prometeu apreciá-las. Ninguém pensou que esta assomo libertátio-participativo do governo correspondesse a uma sua necessidade de poupar energias para as suas tarefas futuras.

Este curioso método coloca um ou dois probleminhas.  Talvez mesmo três.

  1. O Programa de Governo será substituído pelo somatório das sugestões de reformas? Dito de outro modo: em nome de que princípios serão apreciadas as reformas eventualmente propostas pelos cidadãos? Submetê-las-á às esquerdas orçamentais que o apoiam? serão apenas apreciadas por funcionários públicos? constituirá um novo observatório para as apreciar? pedirá antecipação de eleições para que o eleitorado as discuta e vote?
  2. O Governo abdica das suas linhas encarnadas a bem das reformas? Exemplifiquemos: O Economista Português sabe de fonte segura que um dado ministro, ao ser convidado para o cargo, viu-se confrontado com uma imposição do PS: « se aceitares, terás que executar a política x». A nossa fonte informou-nos da identidade do ministro e da política x. O putativo ministro aceitou a linha encarnada. Será que o governo retirou a imposição que lhe colocou para em toda a liberdade apreciar as propostas de reforma? Se não retirou, estará em condições de aceitar as propostas de reforma que, sobre essa área, alguma cidadão queira apresentar? Nesse caso, engana o ministro. Se não retirou, não engana o ministro, mas engana o cidadão reformista que se  esmifra de boa fé para perder tempo e arranjar mais inimigos (o ministro e os lóbis apadrinhados ou servidos pelo governo).
  3. Quando será publicado o conjunto da propostas? Por quem? Com que metodologia?

O Economista Português coloca desde já gratuitamente à disposição do governo todas as propostas que apresentou nos posts que até hoje publicou e não se queixará, quer o paparrão da galinha fique cheio de grão, quer não fique.

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