Caso Banif: o Ministro das Finanças confessa Ilegalidades na Resolução

«Senta-te», diz o homem da Comissão «Europeia», o segundo a contar da esquerda, ao Doutior Mário Centeno, ministro das Finanças do Protetorado (à direita, de tronco nu), que, perante este espetáculo do novo e brutal colonialismo, logo se submeteu. Na extrema esquerda, de espada em riste o leutnant  Constâncio Vítor encarregado de assegurar o  ordem, caso houvesse resistência (é aborígene da mesma etnia do Doutor Centeno e filiado no mesmo clã).

O Doutor Mário Centeno, ministro das Finanças, confessou ontem na comissão parlamentar de inquérito ao caso Banif  que ignora  desde quando é ministro das Finanças. O Sr. Ministro das Finanças respondia a um interrogatório brilhante do deputado Dr. João Almeida, do CDS/PP, que lhe perguntara se ele se sentira confortável com o modo como o Banif foi «vendido». Em vez de responder à pergunta, o Sr, Ministro suspirou:  «Não desejo a ninguém vender um banco num dia». Um dia! A «venda» ocorreu ena segunda quinzena de dezembro de 2015, o Doutor Centeno tinha sido propagandeado por esse país fora como ministro das Finanças desde a primavera do ano passado, o PS ganhara as eleições no começo de outubro, mais de dois meses antes da «venda». Para estes largos seis meses, o Doutor Centeno contou «um dia», confessando portanto que ou não ouvira falar do caso Banif ou decidira não o estudar, julgando que lhe bastaria acusar por certo com alguma razão a sua antecessora, a Drª Maria Luís Albuquerque e o Dr. Carlos Costa, governador do Banco de outro País (BdP).  O Doutor Centeno não só se confessou incompetente como pela sua confissão provou não compreender que é incompetente. Aliás, insistiu: «Foram quase tantas horas [a responder aos deputados] como as que o Governo teve para resolver o problema do Banif». Isto é: para o Doutor Centeno o caso Banif começou no dia 18 de dezembro, quando muito na véspera. Para nós, portugueses e contribuintes, começou antes: todos sabíamos que era improvável que o Banif conseguisse equilibrar as contas. O Doutor Centeno deixou passar o tempo – a acusação que dirige à sua antecessora é válida para ele próprio – , não estudou o caso, não averiguou que poderes tinha pare responder à Comissão de Bruxelas, adulou os seus superiores, preparou as acusações aos saos seus antecessores ou inimigos, e cedeu, perante a chantagem bruxelina, que lhe deu ordens orais ilegais e lhe disse que não lhe daria ordens escritas para pagar os prejuízos do Banif com o dinheiro dos contribuintes portugueses. Portugal é um semiprotorado? Com o Doutor Centeno somos um protetorado de 3ª  categoria.

Acresce que o Doutor Centeno confessou ter reunido com um dos concorrentes a um concurso público, enquanto esse concurso decorria. Só nos protetorados de 3ª há comportamentos destes – e só neles os governantes ignoram a gravidade desse tipo de comportamentos. Confessando assim que a resolução assenta num processo delitual, o Doutor Centeno presta ao País um serviço por certo involuntário : sugere ao Ministério Público que promova a declaração da nulidade da resolução. É que a passagem da fase do concurso público de venda para a fase da resolução está manchada por duas ilegalidades que suscitam nulidade: a chantagem ilegal da Comissão bruxelina e as negociações ilícitas com o Santander.

O Dr. António Costa disse na campanha eleitoral que «bateria o pé a Bruxelas». O caso Banif prova que, pelo menos neste particular, as suas palavras não correspondiam aos seus atos: anunciara que queria a integração do Banif na CGD mas, apesar desta solução ser menos onerosa, obedeceu a Bruxelas e não a concretizou. Não levou o assunto às instância da União Europeia. A intoxicação da TVI, a 13 de dezembro, anunciando a corrida aos depósitos, favorecendo a Comissão e os especuladores pró resolução, impediu a ação do governo – e que fez ele? Nada. Não agiu nem política, nem financeira nem juridicamente. Tão pouco soube evitar a chantagem ilegal da Comissão no final do processo que nos custará uns 2% do PIB (mais do que o crescimento da nossa economia durante um ano inteiro). O deputado Dr. João Almeida afirmou no interrogatório do Doutor Centeno que o governo do Dr. Costa não batera o pé a Bruxelas e com mágoa O Economista Português reconhece-lhe razão.

Os comentários estão fechados.