Caso BANIF: o Inquérito para Inglês Ver >>>>>>> Como foi a Manipulação bolsista

Para esconder as provas do crime o melhor é colocá-las onde são supostas estarem

Ontem, na sessão do inquérito parlamentar ao caso BANIF, o Dr. Carlos Tavares, presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), disse que o comportamento do título em bolsa não sugere «a existência de abuso de informação privilegiada»O Economista Português gostaria de conhecer as equações mas essa conclusão não lhe oferece a menor dúvida. É que, exceto o Sr. Jorge Tomé, a praça sabia que o BANIF  estava condenado à falência e era nessa falência que os espertos jogavam para lucrarem.

Será que essas equações demonstrativas da normalidade abrangem a célebre fuga de informação perpetrada a 13 de dezembro pela TVI? Tavares disse ontem que tentou conhecer a sua origem mas não conseguiu, pois a emissora evoca o segredo informação garantido pela lei. «Saber se houve abuso de informação privilegiada com a notícia da TVI só poderá ser apurado com a identificação da fonte’, disse Carlos Tavares aos deputados da comissão de inquérito. ‘Coisa que, como sabe, não podemos impor ao órgão de informação’». .

E assim ficamos todos, a ver navios do alto de Santa Catarina.  O extraordinário é ninguém se dar ao menor esforço para averiguar a verdade sobre o tema que o Dr. Tavares, com razão, aponta como decisivo: a origem da fuga de informação.  Quem a originou?  A CMVM  não «pode impô-la» mas o Estado português, ao que se supõe, ainda não esgotou os seus meios na CMVM. Vejamos o que as nossas instituições realizaram para descobrir o autor da fuga de informações:

  • A CMVM pediu à Procuradoria para averiguar? Não.
  • O Governo pediu informações à intelligence financeira dos nossos aliados? Acabou o Ministério Público em Portugal? Os nossos telefonemas deixaram de ser escutados? Os nossos mails já não são lidos lidos na «nuvem»? Não.
  • As pasionarias com tintagem de economista, tão mediáticas no inquérito BES  continuam ativas? Não. Passaram  para as esquerdas orçamentais e  adoeceram, a disciplina partidária mandou-as calar ou levou-as a depositarem a cabeça no bengaleiro partidário.
  • A imprensa averigua? Não, sumiu. É tal o afã de pôr a verdade debaixo do tapete que  um jornal especializado titula:  «CMVM não vê abuso de informação privilegiada na queda do Banif». Não o identificamos: é um epónimo da nossa imprensa governamentalizada. O depoente não dissera nada disso. Falara das cotações e não da queda.

O caso Banif é o mistério da carta roubada (The Purloined Letter) , de Edgar Allen Poe, maravilhosamente traduzido para francês por Charles Baudelaire: as comprometedoras cartas da rainha estão escondidas na bandeja da correspondência colocada na mesa à entrada da  residência do amante régio. Estão escondidas no lugar onde são supostas estarem. E onde por isso mesmo a polícia não as procura. No triste fim do Banif, não vale a pena procurar a manipulação do mercado nas cotações do dito. A manipulação do mercado foi operada para  levar o banco à falência, pela fuga aos depósitos.  O autor da fuga quis ganhar dinheiro com a falência. O Dr Tavares procura quem quis ganhar na alta e não encontra porque o manipulador quis ganhar na pior das baixas, a falência. Como? Salvando os depósitos e valorizando os créditos provenientes da resolução que de outro modo não seriam pagos: era preciso precipitar a resolução e ganhar com ela. A fuga de informação sugere manipulação. Bastava saber que a Comissão de Bruxelas imporia a resolução ao governo de Lisboa para valer a pena jogar na corrida aos depósitos. Ou que o governo aceitaria a resolução e, a enfrentar Bruxelas ou forças ocultas, preferia obrigar os contribuintes a pagarem. No caso, a manipulação significava tirar o título BANIF da bolsa e ganhar à custa do contribuinte, graças a um governo incompetente e a uma Comissão bruxelina prepotente. Porque não é explorada esta hipótese óbvia?

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