Salário mínimo obrigatório: A. Costa confessa não ser tão bom para os pobres como se apresenta

O Sr. Primeiro ministro tem a faca e o queijo na mesa e não corta

«Percebemos bem que é essencial que essa luta prossiga, porque não é possível continuar a alimentar a ilusão de que o nosso desenvolvimento se faz com um modelo que está morto e que tem de ser enterrado – um modelo de baixos salários e de precariedade laboral». Estas palavras são do primeiro ministro António Costa, ontem, nos Açores, comemorando o 1º de Maio. A luta, como o leitor já entendeu, é pelo aumento do salário mínimo obrigatório. O Economista Português sugere ao Sr. Primeiro Ministro que prove a sua bondade propondo o aumento do salário mínimo para três mil euros mensais e a proibição legal dos despedimentos. Assim, a ter fé nos seus pressupostos, acabará com a nossa pobreza e a precariedade do emprego. Se o Primeiro Ministro acredita no que diz, porque não passa à ação? Porque propõe um aumento miserável do salário mínimo e nada lança contra os despedimentos? Ele tem a faca e o queijo na mão. Porque não corta?  Porquê autorizar despedimentos? Porquê propor um aumento tão pequeno do salário mínimo obrigatório? Não tomando estas medidas, o Sr. Primeiro Ministro convida-nos a aplicar-lhe os adjetivos que ele próprio ministra aos que defendem uma política económica que renuncie ao voluntarismo pubertário ou pura e simplesmente ignorante.

O Sr. Primeiro Ministro adota uma posição voluntarista: basta querermos ser ricos para sermos ricos. Infelizmente, não é assim. O voluntarismo económico só tem êxito dentro de um monopólio, cuja renda distribui pelos grupos de pressão com mais força. Num mercado mundial competitivo o voluntarismo só resulta se se concretizar em ganhos de produtividade técnica e mercantil. Ora a nossa economia está enxameada de monopólios internos, os setores de bens não comercializáveis (non- tradable goods) que nos cobram rendas de situação, mas não desfruta de monopólios internacionais. Temos pouco para distribuir.  Se o Dr. Costa adotasse as políticas provando a sua bondade para com os pobres, iria rapidamente ele próprio para o desemprego, pois arruinaria a nossa economia.

O voluntarismo político na era da globalização só é eficaz se se aplicar a definir consensos que alterem a nosso favor as regras do jogo. O salário mínimo é um preço e não uma regra do jogo. Para mudar a nosso favor as regras do jogo, é necessário compreendê-las a fundo,  produzir teorias reformadoras e encontrar aliados poderosos. Nada disto parece ser a prioridade deste governo.

2 responses to “Salário mínimo obrigatório: A. Costa confessa não ser tão bom para os pobres como se apresenta

  1. Provavelmente porque o Sr Primeiro ministro é conhecedor da relação directa positiva entre o estabelecimento de um salário minímo e o aumento do desemprego, principlamente verificado em economias precárias, como é o caso da portuguesa. O aumento desse mesmo salário irá ter como consequência um aumento do desemprego, daí talvez o “poucochinho” de que é alvo, por forma a continuar a mascarar essa realidade, e artibuir ao desemprego, quiçá, uma outra qualquer causa -que também se verifica certamente….

  2. O Economista Português agradece o comentário do leitor Silva Baralha e felicita-o por assinalar que o Sr. Primeiro Ministro se prepara para aumentar o desemprego dos portugueses – prepara-se para aumentar «poucochinho» o desemprego, mas é isso que está à vista. Ora, um aumento do desemprego é indesejável – mesmo poucochinho.