Microeconomia da Incompetência financeira da Classe política: A. Costa entre Krugman e Sanfona

A ilustração acima representa uma das principais causas dos nossos males económico-financeiros

O caso Banif mostra a incompetência por grosso da nossa classe política: pagamos porque os nossos políticos  não sabem o suficiente de economia e finanças para negociarem com os nossos credores. Veremos hoje essa incompetência caso a caso a retalho.  Chamemos-lhe a microeconomia da incompetência. Se O Economista Português fosse um seiscentista, escreveria a micrologia da incompetência fiduciária – ou não escreveria, porque o Rei teria contratado (contratado significa com contratado) para ministro um estrangeiro  competente e não um português demagogo, ignorante e ganancioso. Por hoje, será a microeconomia.

Imaginemos a ciência económico-financeira o caso do atual Primeiro ministro. É licenciado em direito. Terá tido umas lambuzadelas de teoria económica na Faculdade de Direito. É  um político profissional: os seus contactos laborais com a teoria das finanças públicas resumiram-se por certo a telefonar ao vereador das finanças para saber se havia verba.  O Dr. Costa é um político profissional, atento aos pormenores. Nas últimas eleições parlamentares, «o novo secretário-geral, António Costa, refez a ordem [da lista de candidatos a deputados] que vinha da distrital segurista de Santarém e impôs o nome de Idália Serrão. E a segurista [Sónia Sanfona] falhou o regresso à vida parlamentar ». Que atenção ao pormenor! O leitor imagina o Dr. Costa a discutir com Paul Krugman, o celebrado economista, um pormenor de teoria financeira paralelo à mexida na lista de Santarém, por exemplo uma crítica epistemológica à teoria da eficácia marginal do capital?

O Dr. A. Costa é apenas um exemplo entre tantíssimos da incompetência económica da nossa classe políticaO Economista Português pensa num colega de profissão do Dr. Costa  que endossou um cheque e, julgando assiná-lo, ficou surpreendido quando uns brincalhões divulgaram o seu feito: ignorava que o endosso pertence ao dono do cheque . O Economista Português não lhe escreve o nome pois não gosta de atirar pedras ao pecador, nem que ele seja o licenciado em Economia Vítor Constâncio.

O leitor dirá: a ignorância económica e financeira dos nossos políticos não é a única fonte das tonterias financeiras da nossa amorosa pátria. Claro que não.

  • Ontem, o  êxito das OTVR, as primeiras obrigações do Tesouro a jogarem na alta, mostram que o investidor português adora ser enganado  pelos que lhe dão boas notícias ou mesmo os que se limitam a cantar-lhe La Vie en rose (dantes o BES, hoje o Estado português).
  • O economista não sabe aconselhar o político. Nos dias que correm,e o economista é um assalariado especializado numa folha de cálculo (Excel, Lotus), que assim procura mostrar saber matemática para esconder a sua ignorância financeira.
  • Os nossos políticos estão todos de acordo em não nos deixarem debater os nossos problemas económicos. Hoje em S. Bento os deputados debatem o BANIF: é um debate obituário, não é um debate financiário. Deviam vestir luto, colocar o BANIF  num caixão e substituir a televisão por velas e salmos. O pior de tudo é que os governos e as oposições odeiam o debate económico e, como os meios de comunicação social são a voz do dono, nunca debatemos uma escolha económico-financeira futura. Preferimos atirar pedras (económmico-financeiras) uns aos outros.

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Se o leitor quiser contextualizar o exemplo dado acima, leia a fabulosa reportagem do i on line, em

http://www.ionline.pt/509501

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