Debate do Ensino: Ninguém defende nem os Alunos nem as Empresas

No secundário, a escola privada é cerca de um quinto  do total de cerca de 300 mil alunos. O número destes cresceu até à crise financeira do Lehman Bros (2008) e depois começou a recuar, mas mantendo acima  dos níveis anteriores à crise, o que revela um sólido descontentamento com a escola estatal. Fontes: 2014-2015: Estatísticas da Educação, do Ministério da dita; anos anteriores:   http://educar.no.sapo.pt/Estatisticas.htm

Quinta feira passada, o Sr. Primeiro Ministro foi acometido por pais de alunos de escolas «associadas» ao Estado que este resolvera desassociar, isto é, deixar de subsidiar.  A notícia tinha sido dada pelo sr. ministro da Educação, que o sr. Primeiro Ministro de imediato avalizou. O que nem sempre aconteceu na atual federação de ministros, como sabe o Dr. João Soares, ex ministro da Cultura. O Dr. A. Costa não considerou necessário dar outra razão que não fosse a prioridade do ensino público. Os protestos multiplicaram-se.

Ontem, a sr.ª ministra da Presidência, doutora Maria Manuel Leitão Marques, deu finalmente uma razão do Governo : «O Governo procedeu a um estudo ‘rigoroso’ da rede de ensino pública para perceber se existiam ‘redundâncias’, isto é, escolas privadas a receber financiamento onde existe oferta estatal» (citado  do  Jornal de Negócios). Descontando as «redundâncias», uma razão com podres de absolutamente, há dois  pontos a relevar: 1º) a Doutora Leitão Marques apoia os métodos do Omã nos anos 1960, estuda e esconde os estudos; sabemos que ela não leu o estudo, pois ela própria revelou que o dito não está concluído; aliás, ela nem nos recomendou que o lêssemos: apelou à nossa fé partidária e burocrática; 2º) o critério do estudo é o interesse do aparelho do Estado, pomposamente designado por «rede escolar»(é bom para a «rede escolar»?) ou, implicitamente, o do ministério das Finanças: poupar dinheiro para agradar aos nossos credores.

O Economista Português julga que em matéria de ensino os critérios deveriam ser:

1º O interesse dos alunos (e não o do Ministério das Finanças)

2º A vantagem das empresas produtoras (e não a vantagem da «rede escolar»)

O  Economista Português dispensa-se de justificar estes dois objetivos, que parecem óbvios, e não se pronuncia sobre a questão partidária de saber se o ensino público é melhor do que o privado ou se deve haver liberdade de escolha entre público e privado. Tão pouco entra na querela se o Governo tem o direito moral e jurídico de se desassociar das escolas até aqui associadas, sem dizer água vai. Defende que a eficácia das escolas deve ser julgada pelos alunos (se forem crescidos), pelos pais (se forem pequenos) e pelas empresas. Se  alguma escola pedir dinheiro dos impostos, pública ou privada, deve justificar-se,  na base de estudos técnicos e públicos (e neste último e ínfimo pormenor discorda do governo do Omã atual, de que a doutora Leitão Marques inesperadamente aceitou tornar-se porta voz).

Infelizmente, no debate em curso, todos os intervenientes se preocupam com os seus interesses próprios, como grupos de pressão, e nenhum se preocupou com o dos alunos ou o  da economia portuguesa.  Os alunos ainda são demasiado pequenos para perceberem que, sem um grupo de pressão, estão perdidos no Portugal contemporâneo. As empresas não beneficiam dessa desculpa, mas o certo é que até ao momento não tomaram posição. Talvez o assunto não as interesse.

O presente debate sobre a escola é indecoroso . Talvez beneficie os partidos políticos mas será nefasto para os estudantes e para a economia portuguesa.

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