Multa de Bruxelas: um País com Medo do Papão, ou a Política Económica de uma Classe política sem Economia Política

 

O papão é a Comissão dita Europeia, sediada em Bruxelas. Ameaçou multar-nos por … estarmos a pagar pontualmente aos nossos credores. O país com medo somos nós. As esquerdas governamentais ficaram aterradas: Bruxelas preparava-se para nos multar.  Seria um golpe constitucional à europeia.  O Economista Português viu passar a caravana  dos protestos indignados. Clamámos todos contra a injustiça que se perfilava no horizonte. Todos.  Nas oposições, o Dr. Passos Coelho distinguiu-se: ofereceu-se para salvar o governo – pois as sondagens dão-no a ele, Coelho, por derrotado em eleições próximas– e mais se prontificou para de novo  redimir um país inteiro, que algo lhe deve segundo a communis opinio  e o Presidente da República .

Assim Bruxelas ficou com a certeza que, sendo necessário um plano B, o governo em funções o aplicará, pois sabe que os íncolas do semiprotetorado estão amedrontados. E, se não exigir o plano B, ficará numa posição de força. A multa só virá se o orçamento para 2017 for de … esquerdas.

A explicação do bluff  bruxelino emergiu ontem de Frankfurt, do nosso querido Banco Central Europeu (BCE): já atingiu o limite estatutário de compra da dívida pública portuguesa. O licenciado em engenharia José Sócrates viveu acima das suas possibilidades por conta da banca alemã e holandesa (que hoje nos prega lições de moral) mas o Dr. António Costa não viverá acima dos seus meios por conta do BCE, um proxy daquela banca.

A nossa classe política ouviu falar no défice orçamental mas ignora as delícias do PSBR dos anos 1970 (Public Sector Borrowing Requirement), as necessidades de um setor público (e já agora: de um país) em dívida acrescida. É pelo aumento da dívida que estamos a ser julgados, mas esqueceram-se de enviar a folha respetiva ao burlesco que está à frente das nossas finanças públicas. Não, este requisito oculto não está nas folhas do BdP nem nos telegramas de Bruxelas, porque eles não acreditam na boa fé da nossa classe política.

Para o orçamento de 2017 (é dele que trata a ameaça de multa e não das contas de 2015), ou a  Dona Catarina Martins e o camarada Jerónimo juntam a sua à voz do Dr. António Costa e votam o aumento dos impostos sobre a burguesia (acima de dois mil euros de salário mensal), ou … o governo entra em poupanças. Há umas alternativa:  cortam a despesa. Já vimos o Bloco de Esquerda a pedir o aumento de penas para os criminosos o que é bem mais improvável do que vermos as esquerdas orçamentais  pedirem .. a diminuição da despesa com a burguesia subsidiodependente.

Aquela derrota no bluff é mais uma prova da incompetência da nossa classe política: nem estudou teoria económica nem jogou poker mentiroso. Teve portanto uma triste vida: em vez disso conseguiu a custo perceber Lucky Luke e ganhou medo da própria sombra.

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