O Estado reconverte-se em industrial de «explicações particulares» e persegue o ensino vocacional

 

Estabelecer tutores para os alunos repetentes em pelo menos duas disciplinas em alternativa ao ensino vocacional foi a futura medida legislativa apresentada pelo ministro da Educação, Doutor Tiago Brandão Rodrigues, no debate parlamentar da passada quinta-feira, 19 do corrente mês de maio. A ideia parece generosa. O Economista Português não dispõe de meios para julgar intenções e limita-se a tentar reconstituir o processo da política social. A medida é errada e não foi orçamentada.

A medida assenta num pressuposto antropológico errado: os alunos do ensino vocacional são estúpidos pois, se o não fossem, teriam conseguido aprovação sem  explicações. Este diagnóstico é obviamente errado. Alguns alunos reprovam por serem pouco inteligentes, outros por serem preguiçosos e … outros vão para o ensino vocacional porque a universidade não lhes interessa (é para a universidade que continua a apontar o ensino obrigatório). Estes «retidos» (o regime que felizmente nos rege acabou lexicalmente com a reprovação, a repetência, o «chumbo») querem encontrar emprego o mais depressa possível para casarem e serem independentes dos pais.  O sr. ministro  da Educação ignora que o ensino vocacional é em si mesmo valioso, que não foi inventado pelo Prof. Nuno Crato para castigar o povo ou melindrar o PS,  e quer manter a mão de obra portuguesa no estado de ignorância pristina em que hoje se encontra e que tanto prejudica o nosso crescimento económico.

A medida agora anunciada consiste no essencial em o Estado obrigar o contribuinte a pagar impostos para eliminar os  particulares que se dedicam à indústria de explicações para os alunos menos dotados  ou mais  preguiçosos do que a média. Será isso uma função do Estado e um dever do contribuinte?  A função do Estado é explicar aos alunos que devem estudar. Quando muito propiciar-lhe meios de discência,  e, para isso, não deve expropriar os pais das suas funções e poderes – e não obrigar os portugueses a trabalharem para pagarem o filho do vizinho que não estuda porque prefere drogar-se, ir às discotecas três vezes por semana ou apenas ser desportista integrando a claque de um grande clube subsidiado pelo Estado.

O Sr. ministro da Educação esqueceu-se de nos comunicar  o custo desta nova atividade do Estado: que professores do ensino público darão estas explicações particulares? Se são os existentes, a função do Estado seria arranjar-lhes um emprego útil para a comunidade nacional – formarem a mão de obra, por exemplo. Se são novos professores, quanto custarão ao contribuinte?

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