35 horas: os violinos do Titanic tocam para nós

 

Para ganhar as eleições e formar o governo das esquerdas, o PS prometeu as 35 horas de trabalho semanal aos funcionários públicos. Esta promessa assenta num erro de teoria económica, é ruinosa politicamente e só trará problemas nas relações com a União Europeia (UE).

O erro de teoria económica das 35 horas é supor que a riqueza aumenta pela diminuição das trocas: se trabalho menos,, produzo menos, e por isso crio desemprego nos meus fornecedores. Se aumentar a minha produtividade, diminuo o número de horas trabalhadas sem diminuir as minhas vendas: ora a produtividade geral da economia, medida pela variação do PIB, aumentará no máximo 1,% este ano e as 35 horas são uma diminuição do trabalho de 12,5%. Donde brotarão os 10,5% de défice? Brotarão dos bolsos dos assalariados do privado: o aumento do Salário Mínimo Obrigatório destina-se a pagar o aumento das horas extraordinárias aos funcionários públicos, uma consequência inevitável da as 25 horas.

Como o leitor acaba de verificar, as 35 horas são ruinosas nacionalmente pois repetem o erro do Dr. Passos Coelho: dividir os portugueses: há uns que trabalham, os assalariados do privado; há outros que recebem os frutos do trabalho, trabalhando menos, os funcionários públicos. Os sindicatos da função pública, não fora a sua conhecida tendência suicidária, recusariam esse presente envenenado pois perceberiam que   ele  anuncia cortes drásticos de vencimentos e/ou despedimentos na função pública na próxima crise cíclica da economia portuguesa. Mas aplaudem e querem mais. Estarão os dirigentes sindicais a acumular capital de queixa, para a miséria futura?

As 35 horas serão um problema com a UE e com a opinião pública europeia: trabalhar mais horas é um símbolo da vontade de vencer a crise económica e financeira e trabalhar menos é um símbolo de riqueza e de aumento da produtividade. a aprovação dessa medida  mostrará aos outros europeus qual dos caminhos seguimos. O Doutor Centeno prometeu, por certo dolosamente, que  só aprovaria as 35 horas desde que não houvesse aumento da despesas pública mas, como não disse que isso implicava fechar escolas e urgências hospitalares, temos que supor que é uma promessa à portuguesa curta, violando o princípio da identidade: para o Doutor Centeno uma porta está fechada e aberta ao mesmo tempo.

Acresce que as 35 horas serão aprovadas num clima de crise agravada: quando o Fundo Monetário Internacional (FMI)  agrava as suas previsões de desaceleração económica e quando financeiros conhecidos como George Soros ou Warren Buffet acabam de mudar os seus perfis de investimento por, ao que parece, anteciparem um quebra bolsista mundial. O mundo responde trabalhando mais e os portugueses respondem com o baile no Titanic.

O Economista Português não acredita que o governo das esquerdas consiga  libertar-se desta maldição que ele próprio lançou. O Dr. António Costa manda tocar os violinos do Titanic. Para ele, é a escolha recomendada pela teoria da decisão: os malefícios de impor as 35 horas atingem os outros, são futuros e incertos; os benefícios são pessoais, presentes e certos (são o apoio parlamentar que recebe do PCP e do Bloco de Esquerda).

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