CGD: Obrigado, Dr. Ferro Rodrigues, por provar que o Governo recusa o inquérito

O governo das esquerdas governamentais e em particular o seu responsável o Dr. António Costa, tentaram gastar na CGD milhares de milhões de euros do contribuinte sem que se soubesse nem porquê nem para quê. Esse propósito falhou, a opinião pública, o PSD e o CDS-PP impuseram um inquérito parlamentar potestativo. O governo Costa tinha uma escolha: aceitar o inquérito e a transparência ou rejeitá-los mais ou menos encapotadamente. Qual destes caminhos escolheu?

Ontem, o governo anunciou o seu próprio inquérito – desdizendo-se, pois anunciara que a transparência arruinaria a Caixa seria e para esse sulfuroso caminho tentou arrastar o Sr. Presidente da República. O inquérito do Governo à Caixa já não a prejudicará. Por dizer a verdade toda? Bem dito seja Deus!!!
No mesmo dia em que o governo anunciava a sua própria investigação à CGD, em concorrência, talvez legal, com a do parlamento, o presidente da Assembleia da República, Dr. Ferro Rodrigues, eleito pela maioria de esquerdas governamentais, anunciava que submetia os termos do inquérito parlamentar ao conselho consultivo da Procuradoria Geral da República, invocando como motivo ser «lícita a dúvida sobre se o inquérito parlamentar é o meio adequado para a Assembleia da República obter a informação que, de acordo com os fundamentos que constam do requerimento, lhe estará a ser recusada pelo executivo». O executivo é dignificada mas duvidosa terminologia constitucional, pois o Sr. Presidente da República exerce poderes executivos. O Sr. Presidente a Assembleia da República tenta proibir in extremis o inquérito parlamentar à CGD. O leitor dirá: não é lícita a dúvida, o governo não quer que saibamos a verdade sobre a CGD. Obrigado pela transparência, Dr. Ferro Rodrigues.
O Economista Português acrescenta uma palavra adicional sobre a entidade aconselhante escolhida pelo Dr. Ferro Rodrigues, ao que se presume aconselhado neste pormenor, como no resto pela «auditoria jurídica» da Assembleia. A PGR é um organismo de conselho jurídico genérico da administração pública. Colocando na sua dependência a Assembleia da República, o Presidente desta sugere que preside a uma qualquer Direção Geral de Legislação e Votações Avulsas. E assume-se como procurador da maioria governamental, e não como representante do grande órgão legislativo e de representação nacional.
Acresce que aquele conselho consultivo, especializado em questões miúdas de direito administrativo, é desprovido de competência substantiva em assuntos de direito constitucional. Ou será que a maioria de esquerdas governamentais quer administrativizar a Constituição e as liberdades públicas?

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