Brexit: Kohl lembra à Imperadora o Legado de Bismarck

Bismarck

Príncipe de Bismarck: aliado do Reino Unido, lembrado por Kohl, desautorizado por Merkel e Schäuble

Severidade e pressa desnecessárias são indesejáveis nas negociações após o Brexit, disse o antigo chanceler alemão Helmut Kohl a Kai Diekmann, seu antigo colaborador e atual diretor do Bild, o jornal impresso de maior circulação na Alemanha.

Kohl tem hoje 86 anos; foi ele quem inventou o Euro (e assim enganou o saudoso Mitterrand) e, pior ainda, inventou a Sra Merkel. É para ela que fala quando, a propósito do referendo britânico, cita o Dr. Vladimir Illitch Lenine (1870-1924), o russo quase esquecido que o precedeu no coração político da Ângela, a antiga chefe da propaganda da Alemanha comunista e hoje Imperadora da União Europeia (UE):  dê um passo atrás antes de dar dois passos em frente, isto é, respeite a independência das nações antes de avançar no caminho bismarckiano da unificação europeia sob tutela alemã. O Economista Português  leu estas declarações em The Guardian  de quinta feira passada.

Kohl, além de ex-chanceler,  é um historiador conservador alemão e  compreende a herança estratégica de Bismarck:  a Alemanha não deve concretizar nenhuma política sem a autorização da potência marítima.  No tempo de Bismarck essa potência era o Reino Unido, hoje é o Estados Unidos. E hoje, quem diz marítima, diz aérea. Ora a potência marítima substituiu a sua «relação especial» com o Reino Unido com a transformação de Berlim em capataz yankee para a Europa. Resultado? Berlim provocou a expulsão do Reino Unido da UE. Washington não pode consentir nesse abuso do poder. Os problemas estratégicos começaram para Berlim. Já depois das palavras de Khol, Schäuble ofendeu meia UE dizendo ontem que, se os 27 não votarem a contento de Berlim, as questões serão resolvidas por menos de 17. Schäuble não estudou Bismarck e ficou furioso com Kohl. Por isso, age exatamante ao contrário do conselho do antigo chanceler: este mandava respeitar as nacionalidades mais pequenas, Schäuble dá uma bengalada germânica nos coxinhos eslavos e latinos (uma bengalada verbal a sério, não uma bengalada humorística no estilo do Dr. João Soares). Com efeito, Schäuble deu-nos a saber que somos livres de votar na UE, desde que votemos com a autorização do antigo advogadeco do Wuertenberg e atual ministro das Finanças germânico, promovido a génio financeiro europeu por virtude de um atentado falhado. É a resposta do a Imperadora ao homem que inventou a monstra.  Amanhã, a UE eslava (e a britânica)   perguntará nas embaixadas americanas: é recado vosso?  Não, não é, dirão comprometidos os pobres enviados norte-americanos. Berlim sofrerá um suplício frio e duradouro  pois o autor da sua elevação mundial à custa do Reino Unido, é um pobre homem, que tem tentado sem total êxito desorganizar totalmente os Estados Unidos, e está agora a aviar as malas para passar à peluda. Berlim tem muito a contorcer-se por este seu gesto impensado, o chamado Brexit.

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